30 de out. de 2009

Cidade Fantasma


Cansada. Glória entrava as madrugadas como um bicho arredio, assustado e intrigante. Por trás dos olhos, por dentro de carne, nervos, músculos e veias tinha mais que o medo aparente. Assustava. Morava sozinha no 303, sonhava com caubóis. Perguntei ao ver na parede de sua sala caustrofóbica um pôster de um caubói americano no centro de alguma cidade. Algum caubói dos anos 30 ou 40 e apesar de parecer fora de seu habitat natural, transparecia uma tranqüilidade nele. Encostado em uma pequena cerca de metal na calçada, com seu chapéu e botas, acendendo seu cigarro. O rosto do caubói não aparecia, escondido pelo chapéu na posição que ele se encontrava. Ela disse que amava aquela foto, aquele caubói, mesmo sem nunca ter visto seu rosto ou saber quem era. Disse que de onde veio, no interior do Rio Grande do Sul, quando menina apaixonou-se por um garoto desde a primeira vez que pôs os olhos nele. Que de certa forma o caubói lembrava ele. Depois ela teve outros sonhos e saio de lá, e claro, nunca mais soube dele. Agora vive ali com aquele poster, sonha com caubóis e pensa como seria se ainda tivesse contato com aquele menino caubói.

28 de out. de 2009

Beleléu


Mais uma nova revista em quadrinhos acaba de sair. Como falou Allan Sieber sobre os desenhistas da revista Beleléu: "Combinam duas características que acho fundamentais em qualquer desenhista que se preze: falam pouco e mantém um estilo próprio bastante marcado. Parece simples achar essas duas coisas, né? Mas não é. Não é MESMO.

Concordo plenamente. Buenas, falar pouco eu falo, muito pouco. Me falta o estilo próprio, entre outras coisas.
Ainda sobre desenhos. Tenho quer terminar quatro ilustrações para a Antologia Assassinos S/A Volume 2. O prazo está estourando e eu terminei apenas a primeira ilustração. Foda.

26 de out. de 2009

Daniel Na Cova Dos Leões


Próxima história que pretendo escrever.

23 de out. de 2009

La Revancha Del Tango



Taí o tipo de informação que serve para me massagear o ego. Conversei com o Danilo, editor da Mojo Books (http://mojobooks.virgula.uol.com.br/) e ele me informou que meu ebook La Revancha Del Tango ultrapassou a marca de 19.000 downloads. Claro, fiquei supreso, jamais esperaria um número sequer próximo disto. A marca Mojo ajuda bastante para tal número. Quem desejar baixar o ebook e ler, vai lá no site da MOJO.  http://mojobooks.virgula.uol.com.br/mojo_inteira.php?idm=276
Gracias, cabrones.

22 de out. de 2009

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Foto. Heather Maxwell Hall


Homem de lata

Amor Bandido


Estou trabalhando como diagramador de um jornal semanal. Quase colado ao jornal, fica o Instituto Penal da cidade e apenas um muro colado ao pátio do jornal nos separa dos presos. Algumas vezes se consegue ouvir as vozes dos visinhos. Estamos instalados numa casa antiga cor de laranja, grande. Uma casa velha com um longo pátio. Bom, as instalações da Instituto Penal, onde os presos ficam fica a menos de um metros da parede da sede do jornal. Hoje pela manhã quando eu chegava para trabalhar notei uma fila de mulheres em frente ao Instituto, a cadeia. "Deve ser dia de visita", pensei. Havia algumas mulheres bonitas, jovens. Fiquei pensando naquilo, na cena, nas mulheres. As mulheres que mesmo com seus amantes, maridos, namorados, não abandonavam seus homens. Mesmo que provavelmente muitos deles merecessem. Mas lá estavam elas, com suas sacolas, esperanças, amor, visitando seus caras, seus homens. Confeso que não entendo as mulheres, mesmo que cenas como essa me causem uma admiração por sua fibra.
Fiquei por ali terminando meu cigarro e observando tudo. Depois entrei no jornal, e enquanto fui pegar um café ouvi a voz de uma mulher. Ela estava falando com a secretária, pedindo para deixar o celular com ela até terminar a visita porque não podia entar com o aparelho. Fui ver a mulher, percebi que era uma das mulheres que eu havia visto na fila em frente ao Instituto Penal. Uma jovem e bonita mulher.

21 de out. de 2009

Cidade Fantasma


Na lona.
Mariana deveria saber e Raul não sabia como lhe contar. Mais uma vez ele havia perdido.

19 de out. de 2009

Velho

"Você parece desanimado. Tudo certo?"

"Perdi uma mulher."
"Logo vêm outras, e você também vai acabar perdendo elas."
"Pra onde elas vão?"
"Experimente isso aqui."
Era uma garrafa em um saco. Tomei um gole. Vinho do porto.


(Do livro "Factotum" de Charles Bukowski)

17 de out. de 2009

.Cidade Fantasma

Sentado na varanda, observando a noite ele cantarolava:
Es la historia de un héroe de hoy


Con el cabello que le vuela al viento

Él, la carretera y su camión

Lleno de ilusiones desde en el pecho

Tiene un sueño, ir a nueva york

Con la mujer que ama

Ir con su camión hasta las nubes

Mientras tanto viajar sin parar

Nostalgia va y va y va

Nostalgia viene y viene y viene

Y soñará ...


Es la historia de un héroe de hoy

Con el cabello que le vuela al viento

Él, la carretera y su camión

Lleno de ilusiones desde en el pecho

Tiene un sueño, ir a nueva york

Con la mujer que ama

Ir con su camión hasta las nubes

Mientras tanto viajar sin parar

Nostalgia va y va y va

Nostalgia viene y viene

Y soñará ...

Nostalgia va y va y va

Nostalgia viene y viene y viene

Y soñará ...

15 de out. de 2009

Cronópios


O belo e prestigiado site Cronópios (http://www.cronopios.com.br/ ) publicou um conto meu. Enviei o conto e me pediram uma ilustração também. Fiz a ilustra e publicaram os dois. Faz muito tempo que não sou publicado em outros lugares. Houve uma época em que enlouquecido eu mandava colaboração para todo lugar, desde sites que você vai lá e publica por sua própria conta. Cansei disso e raramente envio alguma colaboração. O site Cronópios é um desses que o cara gostaria de ter algo publicado. Bom, os caras publicaram meu conto Se tudo fosse tristeza. No mais ando devagar, sem ânimo para escrever, às vezes penso em algo. Problemas particulares, saudade, decepção em relação às pessoas, a baixeza das pessoas... Isto tudo me bloqueia. Valeu.

2 de out. de 2009

Clube da Luta


#1 - The first rule of Fight Club is, you do not talk about Fight Club.
#2 - The second rule of Fight Club is, you DO NOT talk about Fight Club.
#3 - If someone says stop, goes limp, taps out, the fight is over.
#4 - Two guys to a fight.
#5 - One fight at a time.
#6 - No shirts, no shoes.
#7 - Fights will go on as long as they have to.
#8 - If this is your first night at Fight Club, you have to fight.



29 de set. de 2009

Mãos de Cavalo | Daniel Galera



Faz tempo deixei de falar de escritores. Falo apenas quando gosto, mas senhores, li o tal Mãos de cavalo, de Daniel Galera. Festejado, aclamado, lambido, publicado pela Companhia das Letras... Eu pergunto, tem algo no livro que eu não vi? Fiz um esforço para terminá-lo. Tá certo. Ao menos ele consegue escrever um romance, mas é para estar entre os badalados novos autores?


...



Está bem. Não consigo escrever um romance. Estou escrevendo algo que não sei como denominar, fragmentos, histórias soltas sem começo, meio e fim. É mais ou menos assim, uma Polaroid de momentos, imagens escritas. Você vê um casal, ou uma mulher solitária ou um guri espiando duas belas garotas tomando sorvetes numa tarde de sol e o senhor Emerson escreve algo. Claro, nada existe. Esse negócio que não sei o que é chama-se Cidade Fantasma. Fragmentos da vidas de pessoas, personagens engolidas por essa cidade que também não existe, ou exista e seja apenas mais uma cidade como tantas outras. Depois junto tudo e formo algo que não é romance, não é contos. São retalhos, fragmentos de histórias como se fossem tiradas por uma Polaroid.

21 de set. de 2009

Allan Sieber


Recebi o convite para mais um lançamento do cartunista Allan. O lançamento será no Rio de Janeiro. Gostei da capa do livro. Como já disse anteriormente nesse blog, gosto do trabalho do Allan. Mais um livro para rir um pouco com suas piadas. Vou ver se consigo o livro para ler.

16 de set. de 2009

fantasma

Outra vez
cinzeiro fantasma
copo fantasma
cidade fantasma
mulher fantasma
saudade fantasma

8 de set. de 2009

Pernas de Aço

Foto de Luiz Filipe Ogro

2 de set. de 2009

Os grandes

Eu não vi um Van Gogh,
um Velásquez,
um Toulouse -Lautrec.
Não vi os grandes e talvez não verei.
Eu não me perdôo.

25 de ago. de 2009

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13 de ago. de 2009

Allan Sieber


Clique na imagem para ler. Claro. Visitando o blog do Allan acabei descobrindo mais uma oração para a lista de orações que faço. Grande Allan.

12 de ago. de 2009

Agosto

O mais importante era aquilo. Uma Colt 45 na cintura, escodida sob o casaco. Lola andava pelos corredores do supermercado a espera. Pintava os lábios de um vermelho berrante, pegava batatas fritas, cerveja, refrigerante, cigarros. Depois atravessava o centro da cidade até seu apartamento. Solitária com a tv ligada devorava tudo com a Colt sobre o criado-mudo.

1 de ago. de 2009

Wayne

- é você?
- sim, sou eu.
- onde estava?
- por aí.
- huumm.
atravessou a sala e foi para a cozinha. andou como John Wayne. abriu a geladeira e bebeu um copo d'água.
- o dia logo vai amanhacer - disse.
- você vem pra cama?
- claro - respondeu. - vou apenas fumar um cigarro antes.

30 de jul. de 2009

sub-literatura

Apesar de eu não conseguir escrever mais, um e outro aparecem por aqui. Talvez atrás da minha não literatura, ou da minha sub-literatura ou as duas coisas juntas. O negócio é que não tenho escrito mais nenhum continho e assim, claro, não tenho publicado.
Gracias, amigos.

Assassinos S/A Volume II

Buenas, vou participar da coletânea de contos policiais Assassinos S/A Volume II. (Ed. Multifoco), não como "escritor" mas como ilustrador. Sim, o velho Wiskow não vai escrever nenhum conto policial, vou ilustrar um ou dois contos de outros escritores. Vou tirar a caneta da gaveta.

22 de jul. de 2009

twitte

Tá certo, tô lá. Quem desejar seguir. http://twitter.com/emersonwiskow
Enquanto isso, nada de novo. Semana passada fui convidado para participar de uma Antologia, um projeto bacana. Ainda não respondi se aceito, estou sem tempo para escrever. Teria que escrever um conto policial, a idéia me agrada.

11 de jul. de 2009

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Batman?

9 de jul. de 2009

Medusatecnicólor



Antigo quadro que fiz. Arte digital. Produzi alguns que se perderam com o tempo, dei para amigos, parentes. Só restou este. Acho que faz seis, sete anos criei este quadro. Depois abandonei completamente essa história de criar imagens. À vezes passa por minha cabeça voltar a fazer algumas criações assim. Buenas, é isso.

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carmem sorria. Sorria sempre com olhos tristes. Deixava aquelas pernas ali sobre a cama, vermelha, fios puxados, rasgada. Fumava um cigarro de canela, sempre. Cheiro ruim. Contava algumas histórias e depois tirava a roupa. Nunca deixava nada. Carlos ouvia irritado. Gostava da meia-calça, das coxas. Carmem sorria e pedia boleros.

7 de jul. de 2009


Como eu disse antes, fui dar uma zanzada na Feira do Livro de Canoas. Aproveitei para assistir a palestra do escritor Luiz Ruffato, autor de Eles eram muitos cavalos. fui lá e peguei um autógrafo do cara no livro Eles eram muitos cavalos que meu amigo Mario Telmo havia me presentiado.
Não lembro o que eu disse para Ruffato. Não lembro o que ele disse. Pensei em falar que "escrevia", que tinha um blogue onde publicava alguma coisas. Mas decidi não falar nisso. Imaginei ele pensando: Bah, mais um com esse papo de eu também escrevo. Fiquei na minha. Gostei da opinião dele sobre a nova literatura, a nova cara do romance. Aspectos que ele usou no Eles... algo não tão linear como os romances tradicionais. Buenas, também penso assim. Assim que usei um pouco disso no meu La Revancha Del Tango.

30 de jun. de 2009

Cidade Fantasma

22:04 - Noite Terça-feira

Mioko observa enquanto espera sua Fanta Uva, lá fora uma suave brisa lambe à todos como adagas afiadas.

24 de jun. de 2009

Motel

23 de jun. de 2009

Está acontecendo a 25ª Feira do Livro de Canoas. Pretendia dar uma passada por lá no domingo já que nesse dia estaria o Lourenço Mutarelli autografando e depois daria uma palestra. Mais uma vez o senhor Wiskow perde tudo e cada vez mais recluso não foi. Admiro muito o trabalho do Mutarelli, estava bem afim de conhecê-lo. Buenas, segunda-feira consegui aparecer por lá para ver a exposição internacional de quadrinhos que está acontecendo na Feira. Encontrei meu amigo Mario Telmo que está ajudando na organização da Feira e está por lá trabalhando. Primeira coisa ao encontrá-lo fui malhado por ele por não aparecer no domingo e ter assistido a palestra com o Mutarelli e ir almoçar com eles. A turma da organização da Feira e o próprio Mutarelli, claro que lamentei. Depois Telminho me apresentou o Allan Sieber que também estava por lá autografando e palestrando. Meu velho amigo me chamou:
- Emerson, quero te apresentar o Allan.
- Tudo bom.
- Tudo bom.
Apertos de mãos.
- Esse é meu amigo que te falei que é da antiga, quando tentamos publicar uma revista de quadrinhos. - disse Telmo para o Allan.
- Publicar quadrinhos é foda. - disse Allan.
- O Emerson publicou um livro pela Mojo.
Nesse momento pensei que o Allan diria algo como, What?!!
Trocamos meia dúzia de palavras e depois cada um foi para seu lado. Allan pareceu simpático, acessível. Continuei por lá olhando a exposição, mais tarde com chuva e frio, eu, Telmo e outro amigo fomos para um bar beber um café. Conversamos sobre quadrinhos, desenhistas e rimos olhando os cartuns do Allan no livro autografado do Telmo. Gosto dos cartuns do Allan por ele estar fora dessa onda ultramegapoliticamentecorreta que paira soberana por aí.

22 de jun. de 2009

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Café, café e cigarros. Não consigo escrever mais nada. Assisti um filme dinamarques no fim de semana. Bom filme. Bom filme. Mais café, mais cigarros e nada.

10 de jun. de 2009

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Vento gelado no meio da noite. Na manhã seguinte Jonas reclama dos estragos enquanto suas narinas são invadidas pelo cheiro de bosta de vaca molhada pelo orvalho. Uma caixa de papelão úmida e desbeiçada ao lado de uma árvore sustenta um sabiá laranja que espia despreocupado as coisas ao seu redor. O vento continua assobiando no Sul.

Iggy Pop Préliminaires





Taí um cara que gosto, Iggy Pop. Estou louco para ouvir seu novo Cd Préliminaires. Eu deveria escrever minha nova micro-novela inspirado nesse disco. Talvez eu escreva uma.

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5 de jun. de 2009

Kung Fu

Morreu David Carradine. O mitologico Kung Fu do seriado que misturava arte marcial e western. Assisti muitos desses filmes, adorava e claro, ficava fascinado pelos golpes do cara e como ele derrotava os bandidos. No fim ele solitariamente deixava a cidade e partia sem rumo entre a poeira do Oeste. Carradine andava suido até que Tarantino resgatou o cara em “Kill Bill”.
Ontem David Carradine foi encontrado enforcado num quarto de hotel

3 de jun. de 2009

Minha próxima micro-novela terá como pano de fundo, trilha sonora a banda Nouvelle Vague.

2 de jun. de 2009

Allan Sieber


Fiz uma visita ao site do Allan http://talktohimselfshow.zip.net/e encontrei essa tira. Achei engraçada, o tipo de piadinha cretinha, mas que são engraçadas. Há muitos anos trabalhei num pequeno jornal no mesmo prédio que o Allan trabalhava. Ele publicava umas tiras em outro jornal concorrente, os dois jornais ficavam no mesmo prédio e no mesmo andar. Na verdade ele apenas aparecia por lá para entregar sua tira ou cartum, eu fazia diagramação no jornal concorrente e algumas ilustrações. Nunca nos falamos, encontrei o cara uma ou duas vezes no corredor do prédio. Ele já era meio conhecido, eu "conhecido" por meia dúzia de pessoas da cidade. No resto anônimo total assim como continuo. Buenas, o cara foi pro Rio de Janeiro e se deu bem. É conhecido em todo país, pubica seus quadrinhos e blá blá blá... Gosto do cara, do seu trabalho, gosto das suas piadas escrachadas, sem frescuras.

30 de mai. de 2009

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Não fui um daqueles caras que logo se descobriram "escritor", aqueles garotos precoces e inteligentes que aos 12 anos de idade já escreviam poemas, nem mesmo fui um universitário que aos 22 escreveu um grande romance. Na verdade não sou formado em nada. Não era rodeado por esses caras, não tinha uma turma de genios que escreviam e formavam uma turma cool. Eu passava meu tempo jogando futebol na várzea ou matando passarinhos e lagartos no campo. Tínhamos alguns amigos mais, um grande senso de pervesidade com aqueles animalzinhos. Também gostávamos de olhar revistas pernográficas e as calcinhas das garotas da rua. Mesmo sendo os caras que não comiam ninguém. comecei a escrever com quase trinta, antes, eu pensava em ser um cartunista. Coisa que não consegui por falta de talento e outras coisas. Então coemcei a escrever umas coisas e decide que talvez pudesse me tornar um escritor. Hoje já não tenho tanta certeza, e vejo a literatura fugir, mesmo a minha simples literatura. Como vêem, acho que isso é uma grande brincadeira.

Um monte de nada

Ligou o carro sob aquele sol infernal e deu a partida no velho Fusca 78. "Atravessar desertos é uma merda. Um monte de nada" pensou. Colocou uma fita-cassete e com o volume ao máximo ouviu Born To Be Wild. Jack o quebrou ao montar aquela motocicleta e sair por aí com o vento batendo-lhe no rosto. Stepen Wolf o fez pensar que poderia ser um franco atirador.Kerouac embriagado, atravessando a América, dormindo com mariposas e anotando seus sonhos enquanto em algum quarto pequeno, triste e decadente, um velho escreve contos sujos para a Xota. Garrafas de cerveja vazias se amontoam num canto e tudo se embriaga de solidão, tédio e desespero.O Fusca dá o máximo de si. O pedal do acelerador beija o assoalho empoeirado do carro. Porto Alegre agora é uma miragem que desapareceu no horizonte como um fantasma capenga.Quando criança, antes mesmo de assistir Jack e seu parceiro com suas motocicletas em estradas sem fim, antes de ouvir Born To Be Wild, Carlos ouvia estórias sobre os desertos gaúchos. Depois de ouvir tudo aquilo, sobre os homens que morriam de sede, que se perdiam e eram picados por serpentes sob um sol escaldante, Carlos ia para a janela de sua casa com mil imagens e pensamentos em sua cabeça. Lá fora vaga-lumes, grilos, besouros e outros insetos pareciam enlouquecidos na escuridão. Carlos observa os insetos, as folhagens, a grama verde, os campos e as árvores que cercam tudo. Tudo inacreditavelmente verde, úmido do orvalho da noite e gotejando vida por todos os lados. Carlos não podia acreditar nos desertos gaúchos, mas nunca conseguiu esquecê-los.O motor do Fusca roncando grotescamente sob o chão árido do deserto. O sol queimando a lataria do carro, a retina dos olhos de Carlos, os pedregulhos, a rala vegetação. Pequenas pedras saltavam para os lados como se tivesse vida, enquanto Carlos zunia com seu automóvel. Horas se passaram e Carlos continuava sem parar. "Um monte de nada", voltou a pensar olhando para a paisagem crua.Sem saber o motivo Carlos sentiu vontade de dar um cavalo de pau no meio daquele deserto. "Ninguém atravessa um deserto sem dar um cavalo de pau", pensou Carlos com a garganta seca. Carlos acelerou o que pode, o velho Fusca rosnou como um valente monstro cansado, o toca-ficas esgarçando Born To Be Wild e tudo sacolejando e poeira e pedregulhos voando e ele com a mão grudada no freio de mão. Então o caralho do Fusca valente girou, girou, girou e tudo rodava rápido demais aos olhos de Carlos e uma nuvem de poeira engoliu tudo. Com um forte solavanco tudo parou de girar, menos a cabeça de Carlos e a poeira invadiu seus olhos e garganta e ouvidos e então ele deu uma grande gargalhada e olhou para a noite que despencava no horizonte daquele fodido deserto gaúcho.

27 de mai. de 2009

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Estou tentando escrever a minha micro novela (ainda sem título). Alguns personagens se formam na minha cabeça. Uma dela será uma mulher chamada Hidra, ainda não sei ao certo qual o papel dela, o perfil. Tudo vago ainda. A escrita foge de mim. passei um tempo ontem na frente do computador, fumando e nada. Escrevi uma frase apenas.

26 de mai. de 2009

Sem sentido

W.

Adeus, Tia Chica!

Taí, mais uma revista de quadrinhos lançada por aqui. A "Adeus, Tia Chica!". Bela ilustração de capa, parece ser uma revista interessante, além de ser sempre bom lançamentos de revistas novas de "novos" cartunistas, escritores. A turma dessa revista vai lançá-la em Buenos Aires. Não, o senhor Wiskow não vai. Acho que ando frequentando os bares errados, nunca sei de nada, nunca publico nada, quando vejo surge alguma nova publicação e aqui estou eu parado.
Buenas, quem mandou frequentar apenas bares de quinta.

22 de mai. de 2009

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Oito da noite.
Quinta-feira.
A mulher que montava. Era certo que outras faziam aquilo. Certo, mas em particular eu tinha certeza que era o que ela mais gostava de fazer. Sentia ela renunciar a tudo ali em cima. Eu era apenas uma vara, uma vara apontada para o céu sentindo toda umidade dela. Mesmo um Wolverine ficaria sem ação nenhuma, rendendo-se ao seu cavalgar alucinado.

Bukowski


20 de mai. de 2009

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Susy sorria e dizia, nada que um Mastercard não dê um jeito. Marcos perguntou mesmo sabendo a resposta. Vocês aceitam cartão aqui? Susy sorriu novamente. Amor, aqui aceitamos tudo. Posso chamar mais uma garota? - completou, ela.

19 de mai. de 2009

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Ana tinha certeza que um monstro emergeria das águas daquele rio. Ela sentava por ali, próxima a margem e ficava observando o silêncio. Como Maiko, Ana esperava por monstros.

15 de mai. de 2009

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Mister Hollywood ouviu o chamado. Melhor, chamou. Estavam algumas garotas lá, colocaram seus uniformes. Algumas roupas de animadoras de torcida. Mister Hollywood adorava o show, ele era o show e não se importava muito. Elas sabiam que quando ele as chamava era diversão na certa.

11 de mai. de 2009

Cidade Fantasma

Coca-cola. Garotas desfilam pelas calçadas despreocupadamente. Conversam e riem enquanto outras duas bebem mais um gole no fim-de-tarde e planejam assaltarem um banco. Uma pergunta para a outra: - Você tem uma arma?

8 de mai. de 2009

O velho caminhão

O velho passava sempre nas sextas, vinha com seu caminhão deixando um rastro de poeira amarelada. Eu imaginava um caminhão fantasma ao vê-lo. O motorista era um velho simpático de barba desgrenhada, branca e suja. Vendia verduras naquele caminhão. Eu ficava observando do portão ele se aproximar ao longo da estrada, parecia algo mágico. O sol iluminando tudo, a luz refletindo sobre a lataria, janelas, a poeira dançando como cavalos loucos. Minha mãe gritava pra mim fazer sinal para para-lo e ela poder comprar suas verduras e frutas. Eu o aguardava proximar-se o suficiente para chamá-lo com o coração na mão.
N. S. Rita - RS

5 de mai. de 2009

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As noites são quentes e abafadas. Dia após dia. A semana inteira está sendo assim. Fico acordado até as três da madrugada, deixo a televisão ligada enquanto leio e paro por alguns instantes para ouvir os sons que os morcegos fazem no forro da casa. Então me certifico que a velha espingarda está onde a deixei e fico na espera que algum morcego surja e eu possa acertar um deles.
N.S. Rita - RS

30 de abr. de 2009

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A fumaça azulada do cigarro dança por todo o quarto. Ao longo ouço o som do velho trem de carga atravessado a noite e me fazendo imaginar um trem fantasma. Cinzeiro fantasma, café fantasma, paredes, assoalho. Dou mais uma tragada no cigarro e e fico quieto para ouvir melhor o barrulho do trem atravessando anoite sobre os trilhos empoeirados, o chão salpicado de pedras, por entre as árvores e debaixo da noite clara e estrelada.
N. S. Rita

Zine Brasil



Saiu o site Zine Brasil uma "matéria" sobre o livro Bar do Escritor, que participo com quatro contos (não lembro ao certo se são três ou quatro) e também fiz a capa. Ah, pena que colocaram a capa errada, foi um modelo que fiz antes de ser aprovada essa que posto aqui. Para quem desejar conferir é só ir lá no site http://zinebrasil.wordpress.com/2009/04/29/bar-do-escritor/

26 de abr. de 2009

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O Tigre Desbotado.

PICABU




PICABU, nova Revista de quadrinhos. Fico feliz sempre que é lançada uma nova revista em quadrinhos, essa com a participação do cartunista que eu gosto muito do trabalho, Rafael Sica. Falando nisso estamos amadurecendo, eu e uns caras, lançarmos uma revista em quadrinhos. Uma idéia antiga, faz tempo, muito tempo que não desenho HQs. Ainda estamos na fase de reuniões, de pensarmos a revista.

23 de abr. de 2009

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pedro Juan Gutiérrez. às vezes esquecemos de caras que gostamos de ler, faz tempo que não leio os livros do cara. Pretendo ler o seu O nosso GG em Havana. O primeiro livro de Pedro Juan que li foi Trilogia suja de Havana. Peguei e não consegui mais parar, desde então ele tornou-se um dos escritores que sempre me dava prazer em ler, um desses que tu sempre quer ter em sua estante. Como já escrevi em outra oportunidade, foi com surpresa e alegria quando descobri em seu site uma simples caricatura que fiz do escritor cubano. http://www.pedrojuangutierrez.com/Galeria6.htm

ZINE







Finalmente terminei de diagramar e fazer a criação gráfica do Zine Literal. Isso estava me atormentando. Bom, está aí. Vai ser impresso em "xerox" como os velhos zines. Também tem um micro conto meu. O Zine circula em Sampa, Aqui, e não sei mais onde. A idéia do zine surgiu entre alguns integrantes de uma comunidade no Orkut.
Feitoria lomba grande!

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Mesa.
Um bule de café preto. Cinzeiro. Café.
11hs da noite. E no apartamento ao lado uma mulher grita insistentemente afirmando que seu marido não é mais o mesmo. Meia hora depois mais barulho, sussuros e gemidos.
Carlos bebe um gole de seu café e traga seu cigarro.

19 de abr. de 2009

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O preço do meu cigarro aumentou para quase cinco reais. Foda, esses caras estão pensando que sou um Onassis? Minha mulher diz para eu parar de fumar. Agora ganhou mais um argumento. Foda.
-Emerson Wiskow, pare de fumar. Pare de fumar!! - Sua saúde..., você vive sem dinheiro e gasta com esta porcaria de cigarro.
- Ok, ok - digo eu, pensando em como viver sem o prazer de uma saborosa tragada.

17 de abr. de 2009

Box

Ok, Marcos, Júlio. Acho que vocês estão fodidos. Aquela coisa toda só podia dar merda.
Se ao menos eu fosse o Lanterna Verde!
Caralho, e você falando uma merda dessa.
Vamos falar com o velho do 302, o escritor.
Aquele velho é louco.
E daí, se for... ele parece sempre saber o que fazer.
Não passa de um velho solitário que escreve livros ruins.
Você já leu algum?
Tentei ler. O velho disse que eu iria gostar do seu livro.
E aí?!
Uma merda.
Nós estamos fodidos.
Se ao menos eu fosse o Lanterna Verde.

15 de abr. de 2009

thingsmag


Saiu a edição 7 da revista thingsmag http://www.thingsmag.com.br/, nessa edição com um conto de minha autoria. A revista continua bacana e de cara nova.

14 de abr. de 2009

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Realmente não tenho vergonha na cara. Como não ando escrevendo mais nada, pequei alguns textos mais que publicados e voltei a postá-los aqui. Eu deveria escrever coisas novas, deveria, mas estou sem tempo, sem talento...

Eu dançaria se soubesse, Lili

Eu não sabia dançar. Não sei. Por mais que Lili tentasse me ensinar. Ficamos assim por algumas semanas. Ela colocava música e me enrolava em seus braços. Boleros.
- Os Machões não dançam - eu disse, referindo-me ao livro do escritor Norman Mailer.
- Hahaha... Você é um idiota.
- Sim..., na maioria das vezes - eu respondi.
- Assim não dá, desisto! - ela disse.
- Eu falei que não consigo aprender. Como escreveu o Norman: Os Machões não dançam.
- Ah, pare com isso! Esse Norman não sabe de nada.
- Acho ele um bom escritor.
- Não sei, não quero saber...
- Está bem Lili. Vamos parar, eu desisto.
- Mas não entendo, fica ouvindo esses boleros e não sabe dançar.
- Não importa, os boleros são pelo meu coração partido.
- Ha,ha,ha... Você? Comigo esse papo não rola, neném.
- Lili, faça um café pra mim, por favor. As mulheres despedaçam meu coração.
- Acredito..., não sei como trato você tão bem. Lili andou em direção ao fogão. A bunda grande requebrando sob o tecido do leve vestido floreado. Era linda. Era um senhor corpo. Um pardal pousou na janela. Um canário amarelo como um girassol. Acendi um cigarro e esperei o café.

Você é um cara incrível, Joe!

- Os brutos também amam..., Joe!
- Você é um cara incrível Joe... hehehe... Incrível, incrível, incrível!
- Cala a boca Júlio. Cala a boca e leve tudo que puder, antes que alguém nos veja roubando a merda deste bar!
- Joe, se você visse os olhos daquela garota... Eram azuis, azuis... Era a coisa mais linda que já vi.
- Cala a boca, Júlio! Vamos dar o fora daqui!
- Está certo. Peguei algumas bebidas também, Joe. Vamos...
- Ei, pegue algumas flores para sua garota!
- Você é um cara incrível, Joe! Incrível, incrível, incrível...!!

O primeiro dia de primavera

Ernie serviu-se de mais um pouco de café. Estava calmo e sereno como um cão vira-latas tomando banho de sol numa manhã preguiçosa. Pela primeira vez em anos ele comia novamente ovos mexidos no café da manhã. Ernie passou margarina no pão, depois deu uma dentada e bebeu um bom gole de café. No rádio o locutor anunciava um belo dia de céu limpo, sol e temperatura agradáveis. Ele sabia que era o primeiro dia de primavera. Era uma segunda-feira. Ernie olhou a passagem para o México e sorriu satisfeito. Ele tinha feito um bom serviço, mesmo sendo aquela sua primeira vez. O locutor continuou dando as notícias do dia e então Ernie se levantou e tirou da estação de rádio para colocar uma fita-cassete.Ele gostava de ouvir Bach e naquela manhã ele achou-o especialmente fabuloso. Após terminar o café, Ernie fumou um cigarro, olhou através da janela e observou o dia iluminado lá fora. Uma grande e agradável sensação e bem-estar percorreu seu corpo. Ernie pegou a passagem sobre a mesa e entrou no quarto. Ele colocou algumas coisas numa velha mala, e antes de partir, deu uma última olhada na sua mulher morta sobre a cama.

Seu Velho!

- Pare de fazer merda seu velho do caralho!- gritou ela.
- Aaah, garota. Eu não consigo. Sempre acabo fazendo merda.
- Você não pode evitar, seu idiota?
- Eu tento..., mas sempre acaba acontecendo. De uma forma ou de outra.
- Você é um imbecil! Como pude me casar com um imbecil?
- Realmente eu não sei, garota. Acho que é porque você também não parece ser muito esperta. Agora, por favor... Deixe eu ler meu livro em paz. São quase uma hora da madrugada.

Os Homens sob o sol

Quase que diariamente eu passo por lá, faz parte do meu trajeto enquanto estou indo para o meu trabalho. Enquanto estou indo fazer minha parte para no final do mês receber minha migalha. Estou no ônibus e num certo momento, num certo lugar o ônibus passa por eles. Por uns homens, cinco, seis... Não sei ao certo em quantos são, sei que não são sempre os mesmo. Eles estão apenas lá, com suas roupas puídas, gastas, velhas. Estão fumando e rindo, barbas por fazer, cabelos desgrenhados. Parecem não terem muita sorte. Estão lá com suas sacolas de supermercado onde trazem suas coisas. Parece que estão esperando por algum "bico", talvez carregar algum caminhão para conseguir uns trocados. São feios, homens duros e quebrados. Vejo passar de mão em mão uma garrafa plástica com bebida. E eles bebem a bebida, fumam e riem. Gesticulam enquanto esperam e conversam. Conversam e riem. O mais assombroso é a tranqüilidade que parecem ter mesmo com tanta dureza. Não possuem belas mulheres, não possuem dinheiro, casa própria. Nada. Estão apenas lá, esperando alguma coisa sob o sol.

O sorriso de Ernest

Era uma cidadezinha muito triste, perdida no meio do nada, rodeada por pedras e arbustos. Tinha apenas um bar e os homens se reuniam, especialmente nas noites de sexta-feira. O velho Ernest gostava de ir beber e fumar seu charuto sem dar muito papo para ninguém. Certa noite Ernest não apareceu. Todos estranharam sua ausência. Mesmo não sendo muito de conversa, Ernest fazia parte daquilo. Do bar, das noites de sexta-feira e da solidão do lugar.A noite ia quente e pegajosa, arrastando-se madrugada a dentro e o assunto não era outro senão a ausência de Ernest.Então, no meio da madrugada Ernest entrou porta a dentro. Todos pararam de beber, fingiram não ligarem ao vê-lo entrar, mas o silêncio reinou no lugar. Ernest trazia consigo uma mulatinha. Uma pequena e jovem e macia mulatinha. Aparentava não mais que quinze, talvez dezesseis anos de idade. Ernest entrou silencioso e procurou seu canto no bar. A mulatinha seguia ao seu lado. Ernest segurava sua pequena mão. Ela desfilou tímida até a mesa, o corpo desenhado e fresco. Usava uma velha calça de jeans que marcava sua bela bunda. Os homens olhavam enquanto os dois sentaram. Ernest ignorou à todos e sorriu para a mulatinha depois de sentarem.- Quer uma cerveja, boneca? - perguntou Ernest com uma leveza que deixou todos espantados. Ernest era um homem rude de aparência, mãos grossas e calejadas, de pouquíssimo sorriso.A mulatinha sorriu tímida. Um sorriso de anjo e ao mesmo tempo sensual. Era muito bonita, os dentes muito brancos e lindos.- Sim. Vou querer.Ernest chamou o velho garçom.- Traga uma cerveja para nós. Bem gelada, que queremos matar a sede.- Mais alguma coisa? - perguntou o garçom sem conseguir disfarçar os olhares gulosos para a mulatinha.- Traga também algumas batatas fritas. Minha garotinha de deve estar com fome.O garçom olhou para ela. A mulatinha acendia um cigarro.- Você não deve fumar, neném - disse Ernest.- Ora, Ernest. Você me conheceu fumando e fumando continuarei.Ernest sorriu.- Está bem, querida.O garçom trouxe a cerveja e as batatas fritas. Os dois beberam e comeram com vontade. A mulatinha atraía a todos. Era muito sensual. Tinha volúpia nos olhos. O decote mostrava a pele linda e morena, brilhava. Tinha os seios médios e os bicos marcavam a blusa verde colada ao corpo.Ficaram todos imaginando e se perguntando de onde Ernest havia conseguido aquela garota. Invejavam, mas falavam uns aos outros que Ernest estava ficando louco. Uma aparecer com uma garota com não mais que dezesseis anos de idade. E vestida daquela maneira, com aquelas roupas que mais parecia de uma prostituta de estrada. Aquelas roupas coladas ao corpo. Mostrando os peitos, fumando e bebendo ali no bar dos homens.Ernest não estava respeitando a memória de sua falecida mulher. Fazia mais de dez anos que ela morrera e desde então Ernest vivera solitário. Trabalhando como um burro de carga, um desgraçado. Sorrindo muito pouco e voltando para casa sozinho depois de beber no bar todas sextas-feiras.Ernest percebeu os olhares, os cochichos, tudo. Percebeu os olhares de reprovação, e também os de desejo sobre sua mulatinha. Ernest pegou mais algumas cervejas, comprou cigarros e mais comida. Pagou tudo e foi-se embora com sua mulatinha Ao saírem do bar de mãos dadas, Ernest olhou as estrelas naquela noite quente. Ele mal continha o sorriso no rosto.

MAIS SILÊNCIO

- ei...
- fala!
- está muito quieto aqui!
- sempre foi assim...
- hoje está muito silencioso...
- passa a garrafa.
- sabe... nós não vencemos...
- é... você tem razão
- ei...
- fala!
- nunca isto aqui esteve tão quieto.
- sempre foi assim...
- você tem razão. passe a garrafa.
- nós não vencemos.
- muitos não vencem.
- porra! não deveria ser assim.
- sempre será!

12 de abr. de 2009

Comentários

Quando recebo algum comentário sobre meus textos em algum lugar, um comentário falando bem, fico em dúvida em publicá-lo aqui. Auto promoção, não sei se pega bem, mas sei que os caras fazem isso e penso que também é uma forma de agradecer as pessoas que se dispuseram livremente a escrever um elogio. Publico então alguns comentários sobre o meu LA REVANCHA DEL TANGO no site da MOJO http://mojobooks.virgula.uol.com.br/mojo_inteira.php?idm=276


Rosa Cardoso
12/04/2009 08:04
Conheço os textos do Wiskow através da comunidade Bar dos Escritores no Orkut. Viciei.

márcio fernando santiago calixto
11/04/2009 11:04
Conheci Emerson e seu texto ainda na época das Bagatelas, e seu texto sempre teve força e bom gosto (mesmo que ele não soubesse disso). Esse e-book é a demonstração de alguém que pode ter certeza de sua força e que merece traçar outros ares. (Márcio Calixto)

Giovani Iemini
01/04/2009 14:04
Ótimo. wiskow tem uma Ótima verve, lembra o velho buk com seus textos calorentos, esfumaçados e cheio de gostosas. sou fan.

Gracias!

11 de abr. de 2009

Cidade Fantasma


Ramón. Cidade Fantasma.
- Ramón, Ramón...
- ...
- Ramón, sirváse rápido e depois limpe aquilo lá atrás.

Quatro Irmãs

Eram quatro irmãs muito velhas. Júlia, Inês, Gorete e Silvia. Silvia e Júlia casaram cedo demais. Com 14 anos já eram donas de casa e viviam para seus maridos. Numa conversa de fim-de-tarde, sob a sombra fresca de uma grande árvore decidiram em comum acordo viverem sozinhas. Estavam cansadas. Gorete e Inês, ainda solteiras, perambulavam pelos bares e bailes de Porto Alegre. Viviam na capital e sempre que falavam por telefone com suas irmãs tentavam demonstrar como estavam felizes. Era mentira. Estavam solitárias e também cansadas. Bebiam muito e choravam escondidas. Depois da conversa que tiveram naquela tarde, Silvia e Júlia ligaram para Inês. Inês dormia esparramada sob a cama. Lembrava uma massa sem vida. Vestia uma camisola suja e transparente, as tetas gigantescas mal cabiam ali. Depois de muito tocar o telefone Inês finalmente acordou. Balbuciou algumas palavras inteligíveis e só então percebeu que era sua irmã Júlia. Tentou recompor-se rapidamente. Júlia disse que estava com Silvia e que elas decidiram separar-se de seus maridos. Gorete, que morava com Inês não estava em casa naquele momento e quando chegou à noitinha Inês arrastou-se até ela e comunicou a novidade. Primeiro Gorete não acreditou, mas ao perceber a inquietação e Inês percebeu que era verdade. Silvia e Júlia se juntariam a elas. Naquela noite Inês e Gorete não saíram. Nada de bailes e bares. Atravessaram a noite fumando e intercalando cerveja e chimarrão. Estavam excitadas. Uma semana depois um táxi para em frente à casa de Gorete e Inês. Uma casa grande e velha. Gorete gritou e chamou Inês ao ver Júlia desembarcar do taxi, logo após, outra pessoa saía do carro com dificuldade. Era Silvia. O taxista ajudo-as a colocar as duas grandes malas dentro de casa, junto com outras menores. Depois de dispensarem o taxista e dos tradicionais abraços Silvia abriu uma das malas e mostrou Romeu. Pedaços dele. Tudo dentro de sacos plásticos. Júlia confessou que havia feito o mesmo com seu marido. No meio da noite as quatro cavaram um buraco no pátio e um mês depois esqueceram os maridos.

10 de abr. de 2009

LA REVANCHA


Pois bem, fiquei surpreso ao saber que o LA REVANCHA DEL TANGO lançado pela Mojo Books (http://mojobooks.virgula.uol.com.br/catalogo.php) em menos de um mês foi "baixado" 1159 vezes. Estou mais que satisfeito, sinceramente pensei que não chegaria a 30. Gracias, Muchas gracias!

8 de abr. de 2009

LA REVANCHA DEL TANGO

Mais um pequeno trecho do meu LA REVANCHA DEL TANGO

"Lembro das mulheres que não conheci. Abro a geladeira para pegar uma bebida. Encontro apenas uma garrafa de Coca Light. Como Juliana consegue beber isto? Tento beber um gole, desisto, pego o maço de cigarro sobre o sofá e espio a cidade lá fora enquanto a suave brisa da noite lambe meu rosto. Fumo um cigarro enquanto penso nas coisas e tenho vontade de usar um chapéu panamá ".

6 de abr. de 2009

Quem quer ser um milionário?



Não vou escrever uma resenha. apenas escrever algumas palavras, dar uma dica para quem não assistiu Slumdog Millionaire "Quem quer ser um milionário?" Assista.

A forma da narração do filme e como o personagem tem as respostas das perguntas gravadas em sua mente, eu achei uma tremenda sacada do autor ou roteirista. Gosto desse tipo de narrativa. Direção: Danny Boyle Roteiro: Simon Beaufoy, baseado em livro de Vikas Swarup. Claro, fiquei interessado em ler o livro para ver como o autor desenvolveu a história no livro. É uma história de amor, de amor de da estupidez humana.

2 de abr. de 2009

The Wrestler








Bom, há algum tempo venho observando algum material sobre luta livre. Nenhuma grande pesquisa, mas o negócio é que assisti um documentário sobre a vida dos lutadores nos Estados Unidos, México, lugares que o estilo tem muitos fãs, um estilo de vida. Principalmente no México, a loucura que envolve tudo isso, a vitória, o fracasso, os personagens que eles criam, as máscaras. Bom, pensei em crirar um personagem e usá-lo em alguma HQ, ou colocá-lo em contos, em algum livro. Algum personagem que surgisse mesmo que rapidamente em alguns contos meus. Buenas, então surge o filme The Wrestler com Mickey Rourke, foda. O filme só me deu mais vontade de criar essa coisa. Um lutador de luta livre que apareça em algun contos meus e o velho Mickei tá foda.