8 de dez. de 2009

Velhos Caubóis Não Choram


Mais contos do senhor Wiskow

7 de dez. de 2009

A frase não era minha

Íamos de vinho. A frase não era minha, mas resolvi usá-la, tinha lido num conto. Encontrei-a por acaso, entre copos, bebidas, e batatas fritas. Eu devorava tudo. Ceveja e batatas. Ela falou de irlandeses bêbados e depois me levou para sua casa. Acendeu um cigarro e riu da marca do cigarro que eu fumava. Depois pegou a garrafa de vinho e assim foi. Íamos de vinho sempre. Depois ela dançava pra mim, levantava o vestido e mostrava sua calcinha de algodão.
- Eu li suas coisas – disse ela
- Leu?
- Sim.
- Hum.
- Não gosto. Não entendo. Não gosto delas, não acredito que você seja um escritor. Você é um falsário.
- Não posso condená-la por isso. Não está sozinha.
Ela bebeu mais um gole. Fazia isso com vontade. Depois começou a cozinha para mim. Dizia que gostava e sorria. Eu gostava. Gostava de comer o que ela cozinhava. Gostava de vê-la desfilando com seus vestidos e suas calcinhas de algodão. Gostava de pegá-la na cozinha. Depois bebíamos mais vinho e fumávamos mais cigarros. Tudo foi assim por uma semana. Nós íamos de vinho sempre, ela colocando Creedence no aparelho de som, dançando, desfilando suas calcinhas de algodão, cozinhando e dizendoq eu eu não sou e não seria um escritor. Até o dia que ela sumiu. Recebi uma ligação dois meses depois, no meio da noite.
- Alô.
- Oi, continuo lendo suas coisas, mas você não é escritor. E nunca será.
Dei um sorriso e traguei meu cigarro.

4 de dez. de 2009

Joe Sacco






O baixinho aí é Joe Sacco, genial desenhista de quadrinhos que desenhou entre outros "Palestine". Então você está no bar, olha aquele cara, falando algo, baixinho, calvo, de aparência simples... E descobre que o cara é Joe Sacco!!. Enquanto outros que se consideram grandes "artistas"...

. Cidade Fantasma


O Cartunista.

Como se flutuasse

Buenas, estava olhando alguns escritos meus e encontrei essa pequena história Pulp que escrevi há algum tempo. Uma histórinha policial, era para ser uma história de três ou quatro capítulos. Fiquei no primeiro. Taí:

Como se flutuasse

As coisas andavam devagar. Eu estava acendendo o primeiro cigarro da manhã quando alguém bateu na porta. Simplesmente gritei: — Entre! A porta abriu-se lentamente e então ela surgiu como se viesse diretamente de um sonho. Um sonho dourado.
Estava metida num vestido justo que mostravam todas suas curvas. Os cabelos presos caprichosamente atrás da cabeça eram negros e tinham um brilho que eu não havia visto até aquele momento. Os quadris dançavam elegantemente e com um sorriso discreto e malicioso ela entrou.
O relógio marcava pontualmente oito horas. Minhas manhãs não costumavam começar assim. Então fingi que vivia andando com mulheres tão ou mais belas que ela. Que a cada minuto uma delas batia à minha porta implorando para sair comigo. Olhei para seus pés para me certificar que ela andava, parecia flutuar como se nada fosse digno o suficiente para ela colocar os pés.
- O senhor é o Detetive Wilson?
- Sim… E a senhorita se chama…?
- Helena. Maria Helena.
- Sente-se, por favor.
Ela sentou.
- Preciso de você!
- Humm.
- Tenho tido problemas há algum tempo. Acho que estou sendo seguida.
- Não é de estranhar.
- Como?
- Desculpe. Continue, por favor.
- Algo está fervendo - ela disse de súbito.
- Dá para notar? - perguntei com um sorriso malicioso.
- Aquela água.
Saltei da minha cadeira estofada. Velha, mas estofada. Era a água que eu tinha posto para esquentar o chimarrão. Eu estava nessa de tomar chimarrão todas as manhãs. Mantinha um pequeno fogão de duas bocas para fazer café ou alguma refeição rápida. Apaguei o fogo e voltei pra ela.
- Desde quando a senhorita percebeu que estava sendo vigiada?
- A mais ou menos um mês.
- Humm. Desconfia de alguém?
- Não. Na verdade, sim.
- Sim?
- Sim.
- Ok, de quem?
- Um alienígena.
- Humm.
- Você parece não acreditar, senhor Wilson.
- Acredito.
- Vai pegar o caso?
- Não teria como não aceitar um pedido de você - eu disse. Ela sorriu confiante.
- Quanto sairá o trabalho?
- Estudarei o caso e lhe informarei.
- Ok. Este é o meu cartão. Aqui está o número do meu telefone. Por favor, senhor Wilson, me mantenha informada. Quero me livrar disso, dessa sensação, desse alienígena!
- Não se preocupe, a senhora está em boas mãos.
Ela levantou-se e estendeu a mão para mim. Era suave, muito suave. Era como se eu tocasse num anjo. E então ela se foi. Novamente olhei para seus pés.
Ainda desconfiava que ela flutuasse.

2 de dez. de 2009

Hemingway e Bukowisk

Ontem não sei por qual motivo estava pensando em quais autores me influenciaram. Acho que Hemingway e Bukowisk. Penso que perdi bastante essas influências. Mas ainda gosto da idéia do boxeador. Socos certeiros e rápidos. Sou um cara que escreve para poucos rounds, sem fôlego e quando se escreve assim, tem que tentar vencer antes do quarto round ou você beija a lona. Tento dar esses socos, ser rápido, mas o ringue me engana, me perco quando entro nele.

Gênesis


Então o mestre  Robert Crumb resolveu desenhar o Gênesis. 
Primeiro, era o verbo...

29 de nov. de 2009

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GOOD BYE, Bukowski!

27 de nov. de 2009

Cidade Fantasma


RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- AAAHHHHHHHHHHHhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Madrugada.

. Cidade Fantasma


Sexta-feira. Cidade Fantasma. Verde. Imagino o verde. Um verde suave e bonito, mas o céu e as ruas se cobrem com um gris. Tudo parece em tons de cinza. O ar úmido, as calçadas ainda molhadas pela chuva recente. É sexta-feira. Uma merda. Uma merda de uma sexta-feira entediante. Entro no prédio e encontro um grupo de cabeludos, jaquetas de couro, parecem bonecos de brinquedos. Bibêlos, Simpons, bonecos emborrachados que colocamos na estante. São quatro e três deles usam óculos escuros. Uma volta no tempo, o corredor do tempo. São os Ramones, lembram os Ramones. São os Ramones. Dá vontade de voltar a ouvir aqueles caras.

26 de nov. de 2009

Matadouro 69 (Parte II)


Deixei Andira e segui meu caminho para encontrar Nara.  Comecei a pensar em porcos enquanto andava. Porcos. Andira gostava de lançar seus dardos envenenados em mim, em Nara, sua amiga, em qualquer mulher que atravessa-se o meu caminho. Fomos quase amantes. Quase. Uma ou duas semanas foram o suficiente para ela quase me enlouquecer. As mulheres geralmente me levavam um pouco mais que isso, mas com ela foi diferente. Eu sempre soube que ela era louca, tinha instintos assassinos. De Nara eu aidna não sabia muito, apenas que ela trabalhava no matadouro. No caminho até lá eu tinha que briblar alguns cães que viviam zanzando pela rua rosnando para os transeuntes.

24 de nov. de 2009

Professor de Desejo


Estampado na camiseta da garota, o grande escritor Philip Roth.

23 de nov. de 2009

Pobre Frank

Conto que escrevi há algum tempo.


Frank, Frank! Perdeu tudo. Perdeu o amor, perdeu seu amor. Pobre Frank solitário. Quantas noites tristes e escuras. Apenas paredes e nada mais. Os olhos sombrios, melancólicos num rosto marcado. Pedaços. Todo pedaços. Monstro, feio, assustador. Pobre Frank solitário. Desejava amar, se arrastava na relva úmida e fria. Pobre Frank sem amor. Pobre Frank sem sol. Esgueirava-se e observava o amor que desejava. Não pôde ter. Nunca poderia. Amaldiçoado. Uma besta fera. Todo pedaços. Coração, pernas e braços. Dormia sozinho nas noites de lua cheia. Dormia sozinho nas noites sem lua. Não gostava de multidões. Apedrejado era. Golpeado. Coração. Pobre Frank solitário. Queria sorrir. Chorava. Pobre Frank sem donzela. Desenterrado e enterrado. Torre vazia. Paredes escuras, sombras por companhia. Monstros imaginários. Encolhido, entristecido, ferido. Gigante apequenava-se em solidão, encolhia, murchava, secava. Pobre Frank, pobre Frank! Não há compaixão. Era pedaços. Porão. Trevas, escuridão, lágrimas. Não deveria existir. Existiu. Não deveria nascer. Nasceu. Pobre Frank! Quebra-cabeça juntado. Retalhado. Pobre Frank sombrio. Costuras, restos, tecidos, ossos, trovões. Sem sorriso, nunca sorriu. Parafusos, linha, retalhos. Correu. Noite fria, noite quente, escuridão. Folhas de outono despencando. Balé confuso. Atacado, atacou. Ferido, feriu. Pobre Frank! Mil almas. Gigante, feio, grotesco. Corre Frank, corre! Pobre Frank! Chora nas noites. Corre Frank! Se esconde. Espia, vigia, ama. Recortes, pedaços juntados. Covas violadas. Miolos, víceras, membros, ossos. Relâmpagos, trovões, estrondos, sustos. Lento movimento. O coração de Frank, a alma de Frank. Domingo, segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado. Pobre Frank. Solidão, sem amor, quer amar, se esconde. Tem que se esconder. Grotesco. Rins, pele, manchas, hematomas, costuras, pedaços, retalhos, remendos, junção. Pobre Frank! Construído, repelido, escondido. Fios, eletricidade, raios e trovões, nuvens carregadas, descarga elétrica, pulso! Desenterrado, misturado. Não era um. Vários. Nasceu. Foi criado, olhos abertos, dedos, movimento, trovões, descarga elétrica. Pobre Frank! Não é ele. Vários. Atacado, defesa, fuga, medo. Corre, Frank, corre! Destruição, arma, fogo, perseguição, trevas. Floresta úmida, noite gelada, solidão, útero. Não teve útero. Perdeu tudo, nunca teve nada. Deseja, deseja, deseja. Chora. Frank abriu os olhos. Despertou. Levantou-se e andou. Pobre Frank! Viram ele. Assustaram-se, chocaram-se. Pobre Frank sem amor. Grotesco, perseguido, assustado. Só teve porões mofados, queria amar, perdeu tudo, nunca teve nada. Donzela, amada, sonhada, desejada. Entre arbustos observava, coração apertado, retalhos, pernas, miolos, olhos, mãos. Junção de cadáveres. Hediondo. Criado. Não era um, era vários. Solitário, solitário demais. Ódio. Ódio, Ódio. Descoberto, perseguido, fugitivo. Costuras, remendos, enxertos. Raios, trovões, relâmpagos, fluídos, fluídos, fluídos. Cabelos, víceras, membros, linha, linha e costura. Pobre Frank criado, inventado. Corre Frank! Vários dias, semanas, anos. Becos, ruelas, vilas, bosques. Pedra fria. Noites, dias. Pobre Frank! Monstro, monstro, monstro! Não quer mais, não quer mais! Cansado, esgotado. Forte, muito forte, assustador, gigante, desajeitado, desalinhado, horrível. Hematomas, costuras, dedos, unhas, miolos. Coração. Sem lar, caçado, ameaçado, ameaçador. Grotesco. Loucura. Conjunto de partes. Vida, suspiro, fluídos, desejos. Desejos, desejos, desejos. Pobre Frank! Corre, Frank! Sem nada, atordoado, atormentado. Frank, Frank, Frank. Perdeu tudo, não tinha nada, não teve nada. Sem amor, sem amor. Tristeza e escuridão. Ratos, teias, aranhas e fungos. Quantas noites, eternidade, quantos dias, eternidade. Eternidade, eternidade, eternidade! Ossos cortados, carne rasgada, marcas, marcas, cicatrizes. Um conjunto. Feio, hediondo, horrível, grotesco. Pobre Frank! Perseguido, não podia viver, apenas mortes, nasceu de mortes, foi criado de mortes. Putrefação, sangue seco. Cérebro, cabeça, orelhas. Sem saída, perdido, sozinho, solitário, triste. Ódio, ódio, ódio. Podia amar, desejava amar. Espiava o sol, espiava as flores, dormia com a noite, chorava com a noite. Apenas noite, trevas, escuridão, sombras, porões. Umidade. Cemitério, defuntos, gente morta. Frank montado, costurado. Pedaços sem vida, viveram. Fluídos. Frank, Frank! Pobre Frank! Retalho. Desejos, perdido. O movimento, o primeiro movimento. Trovões, relâmpagos, eletricidade. Átomos, átomos, carne, carne, carne. Frank solitário, encurralado, apedrejado, ferido. Membros, víceras, cérebro, costuras, emendas, enxertos, cabelos. Grotesco, horrível, assustador. Frank desejava amar. Só tinha sombras, porões, matas, grutas. Perseguido, amaldiçoado. Pobre Frank! Corre Frank, corre! Lanças, tochas. Desenterrado, cortado, montado, costurado. Apenas sombras. Todo pedaços, retalhos, junção de mortos, raios, eletricidade e solidão. Pobre Frank, pobre Frank sem nada. Experiência, loucura, fios, corrente elétrica, fluídos, tumbas violadas, corpos despedaçados, escuridão, porão, noites, árvores sombrias, noites carregadas, negras, trovões, relâmpagos, Deus, homem, trevas, desejo, sonho. Pobre Frank. Pobre Frank. Retalhos, enxerto, costura, víceras, miolos, coração, membros, solidão, tristeza, ódio, medo, desejo.

Pobre Frank. Pobre Frank.

20 de nov. de 2009

Matadouro 69 (Parte I)


Tínhamos amigos em comum. Eu não sabia. Fui ao matadouro que ficava há poucas quadras dali. Andira disse que eu podia encontrá-la por lá. Entre bois, tripas, sangue e moscas. Senti aquelas palavras com uma ponta de maldade feminina. Um dardo envenenado lançado ao acaso mas com direção certa, uma lança ardente adornado com um belo laço vermelho. Andira esboçou um leve sorriso. Eram amigas. Deixei de lado e lancei uma última tragada no cigarro antes de dizer-lhe tchau e me dirigir ao matadouro.

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Matadouro 69.

Watchmen


Assisti recentemente o filme Wathmen. Ótimo filme, ótima trilha sonora. Ouça aí o cara, Leonard Cohen, cantando Hallelujah.


18 de nov. de 2009

RUA ALVORADA

Durante toda aquela tarde de calor infernal os moradores da rua não colocaram o nariz para fora. Ninguém agüentava mais. Árvores, flores, cachorros, humanos, pássaros, insetos... Tudo sufocava, amolecia, esvaia-se até secar. A rua agonizava, fervia mergulhada numa massa quente. Fazia um mormaço terrível.
Um pequeno pardal tentou um vôo desesperado e não conseguiu. Despencou exausto e buscou refúgio na sombra de uma pedra. O bico aberto à cata de ar e de forças não foram suficientes para ele resistir ao calor. Foi o primeiro a morrer, depois dele, perto da casa oito um cão agonizava sobre o asfalto que fervia. Dona Maria observou horrorizada a cena. Já tonta e com os olhos embaçados ela tentou ir de encontro ao cão. Juntou forças para tentar o resgate e caiu antes mesmo de conseguir chegar ao portão que ficava a três metros de sua casa. Foi o segundo ser que pereceu sob o calor avassalador, o terceiro foi o cão que assava a língua esticada sobre asfalto escaldante.
As horas passavam lentas e o calor tornava-se cada vez mais sufocante. As rádios não sintonizavam, nem mesmo as televisões. Os telefones ficaram mudos. Todos os eletro-eletrônicos pararam de funcionar. Fios derretiam-se e desmanchavam-se continuamente transformando-se numa massa disforme. Os moradores ficaram sem qualquer informação ou contato com o mundo fora da Rua Alvorada. A rua tornou-se um ponto isolado no emaranhado de ruas da cidade.
O calor aumentava. Desesperados três homens e duas mulheres enrolaram-se em lençóis, encharcaram-se com água e saíram correndo na tentativa de fugir daquele inferno. Tombaram os cinco, sufocados e esgotados. Alguns minutos depois ferviam sobre o asfalto. A carne enegrecia aos poucos, os olhos esbugalhados, já sem vida, mostravam a agonia que passaram.
Mergulhada naquela massa quente a rua parecia tremular silenciosa como se não houvesse nada vivo por ali. Não se ouvia mais gritos. Ninguém tinha mais forças para gritar. Outros cães morreram, assim como pessoas, insetos, pássaros. O desespero tomou conta dos moradores. Alguns se arrastavam como moluscos anestesiados, outros juntavam o resto de força e rezavam enquanto o sol continuava explodindo lá fora. Uma família acompanhada por seus vizinhos juntou-se sob uma grande árvore. Repartiram a sombra e tentaram respirar. Os corpos encharcados de suor moviam-se lentamente, com moleza e desânimo. Observavam o tempo e esperavam, olhavam para o céu desejosos de encontrar alguma nuvem e contavam os minutos na esperança da noite chegar para amenizar o calor. Um a um caíram como folhas pressas em árvores por uma linha fina e frágil. Logo a Rua Alvorada encheu-se de mortes. Pássaros morriam, gatos, insetos, humanos. Tudo torrava. Ninguém sabia o que fazer. Agonizavam e o sol ardia cada vez mais.
As horas passavam numa morosidade inigualável. Perto, a vida continuava normalmente, nas ruas vizinhas, nas ruas dos outros bairros, nas ruas da cidade. Pessoas continuavam a viver e a realizar suas tarefas cotidianas sem nada saber do que acontecia na Rua Alvorada. Quase desmaiando um homem tentou loucamente se livrar do calor mergulhado numa banheira cheia de água. A água esquentou rapidamente chegando ao ponto de ferver. O homem desistiu, sufocou, catou o ar com todas suas forças até cair esgotado. Muitas mulheres choravam quase nuas, suas roupas ensopavam de suor. Na casa catorze uma família recolhia seus mortos. Sobre a cama do quarto do casal jaziam três pessoas da família. Um ao lado do outro eram velados naquele bafo quente no qual o quarto estava mergulhado. A janela aberta tentava resgatar um pouco de ar. Após algum tempo o filho mais velho carregou o quarto membro da família para a cama mortuária. Depois, esgotado ele fraquejou e deixou-se levar.
Sete horas da tarde e o sol continuou implacável, o mormaço não dava trégua e nada se movia. Os olhos ardiam na claridade da rua, o chão salpicado por pequenos defuntos dava a cena um ar bizarro. Cães com a língua de fora, mortos, espalhavam-se pelos pátios das casas, na rua e nas calçadas em frente às residências. Junto a eles pássaros e outros pequenos animais também jaziam espalhados pela Rua Alvorada. A única esperança tornou-se a noite que não chegava. Pensavam que com ela o mormaço, o calor e sol dessem lugar a alguma brisa, e com ela poderiam fugir dali. Do inferno que se abatera sobre a rua, sobre a cidade. Não sabiam que nas ruas vizinhas a vida continuava se desenrolando sem nada de anormal. O mormaço estancara sobre a Rua Alvorada engolindo-a como um monstro feito de massa quente. Ninguém mais conseguia respirar, ninguém mais agüentou. A noite chegou depois de uma eternidade que os relógios não marcaram, e uma suave brisa soprou sobre a Rua Alvorada.
Já não havia nenhum ser vivo que respirava na Rua Alvorada.

17 de nov. de 2009

Bar do Escritor


Buenas, descobri no blog do Cristiano Deveras, que o livro O Bar do Escritor (participei com três continhos), esteve exposto na Bienal do Livro de Goiás - 2009.

12 de nov. de 2009

Flickr


Meu endereço no flickr | Cartuns, Rabiscos, esboços, ilustras...

11 de nov. de 2009

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CITY

10 de nov. de 2009

Roda Gigante


Cidade Fantasma | Noite
Algumas pessoas dormem. A roda gigante descansa solitária como um monstro espacial.

6 de nov. de 2009

Assassinos S/A


Cortei uma parte do original de uma das ilustrações que fiz para o livro Assassinos S/A II - que sairá no início do próximo ano - para postar aqui. Buenas, vi o trabalho dos outros ilustradores. Só feras, gente muito boa. Minha primeira reação ao ver as ilustrações foi pensar, não deveria ter aceito o convite para ser um dos ilustradores do livro. Estou sem prática e os caras estão afiados.
Buenas. Agora foi. Azar.

Velhos Caubóis Não Choram

4 de nov. de 2009

Cidade Fantasma

Vincent Bousserez

Apartamento 407
Noite.
Gisele e seus homenzinhos
Saimos todos por aqueles caminhos estranhos. Nos aventurando por ele, percorrendo cada pedaço. Despois de algum tempo tomamos coragem para explorá-lo. Era o corpo de um desses humanos, gigantes. Sabemos que ela se chama Gisele. A mulher. Pelo que notamos ela vive sozinha, dorme nua e pedi para que exploremos seu corpo. Deita-se e diz onde devemos ir, gostamos. É uma pele fresca, macia, entramos em cavernas e ela se retorce, geme, solta sussuros. Algumas parte umedecem, uma úmidade viscosa. Então ela se retorce mais e algumas vezes parece ficar fora de controle. Ela nos mantêm presos aqui e tentamos fugir. Ao que parece ninguém sabe de nossa existência, nunca vimos ou ouvimos ela falar sobre nós para os outros humanos gigantes. Gisele nos alimenta e nos trata como animais de estimação, nos mantém presos dentro de uma caixa de papelão. Já pensamos em matá-la.

31 de out. de 2009

Noite

Ela liga no meio da noite.
Pergunta se pode vir.
Se pode aparecer, me fazer uma visita.
Diz que quer me ver e que trará umas cervejas.
Pergunta se quero beber com ela.
Eu digo que estou cansado, mas bem, uma ou duas cervejas não fazem mal a ninguém.
Ouço ela sorrir suavemente, e sei que será uma boa noite.

30 de out. de 2009

Cidade Fantasma


Cansada. Glória entrava as madrugadas como um bicho arredio, assustado e intrigante. Por trás dos olhos, por dentro de carne, nervos, músculos e veias tinha mais que o medo aparente. Assustava. Morava sozinha no 303, sonhava com caubóis. Perguntei ao ver na parede de sua sala caustrofóbica um pôster de um caubói americano no centro de alguma cidade. Algum caubói dos anos 30 ou 40 e apesar de parecer fora de seu habitat natural, transparecia uma tranqüilidade nele. Encostado em uma pequena cerca de metal na calçada, com seu chapéu e botas, acendendo seu cigarro. O rosto do caubói não aparecia, escondido pelo chapéu na posição que ele se encontrava. Ela disse que amava aquela foto, aquele caubói, mesmo sem nunca ter visto seu rosto ou saber quem era. Disse que de onde veio, no interior do Rio Grande do Sul, quando menina apaixonou-se por um garoto desde a primeira vez que pôs os olhos nele. Que de certa forma o caubói lembrava ele. Depois ela teve outros sonhos e saio de lá, e claro, nunca mais soube dele. Agora vive ali com aquele poster, sonha com caubóis e pensa como seria se ainda tivesse contato com aquele menino caubói.

28 de out. de 2009

Beleléu


Mais uma nova revista em quadrinhos acaba de sair. Como falou Allan Sieber sobre os desenhistas da revista Beleléu: "Combinam duas características que acho fundamentais em qualquer desenhista que se preze: falam pouco e mantém um estilo próprio bastante marcado. Parece simples achar essas duas coisas, né? Mas não é. Não é MESMO.

Concordo plenamente. Buenas, falar pouco eu falo, muito pouco. Me falta o estilo próprio, entre outras coisas.
Ainda sobre desenhos. Tenho quer terminar quatro ilustrações para a Antologia Assassinos S/A Volume 2. O prazo está estourando e eu terminei apenas a primeira ilustração. Foda.

26 de out. de 2009

Daniel Na Cova Dos Leões


Próxima história que pretendo escrever.

23 de out. de 2009

La Revancha Del Tango



Taí o tipo de informação que serve para me massagear o ego. Conversei com o Danilo, editor da Mojo Books (http://mojobooks.virgula.uol.com.br/) e ele me informou que meu ebook La Revancha Del Tango ultrapassou a marca de 19.000 downloads. Claro, fiquei supreso, jamais esperaria um número sequer próximo disto. A marca Mojo ajuda bastante para tal número. Quem desejar baixar o ebook e ler, vai lá no site da MOJO.  http://mojobooks.virgula.uol.com.br/mojo_inteira.php?idm=276
Gracias, cabrones.

22 de out. de 2009

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Foto. Heather Maxwell Hall


Homem de lata

Amor Bandido


Estou trabalhando como diagramador de um jornal semanal. Quase colado ao jornal, fica o Instituto Penal da cidade e apenas um muro colado ao pátio do jornal nos separa dos presos. Algumas vezes se consegue ouvir as vozes dos visinhos. Estamos instalados numa casa antiga cor de laranja, grande. Uma casa velha com um longo pátio. Bom, as instalações da Instituto Penal, onde os presos ficam fica a menos de um metros da parede da sede do jornal. Hoje pela manhã quando eu chegava para trabalhar notei uma fila de mulheres em frente ao Instituto, a cadeia. "Deve ser dia de visita", pensei. Havia algumas mulheres bonitas, jovens. Fiquei pensando naquilo, na cena, nas mulheres. As mulheres que mesmo com seus amantes, maridos, namorados, não abandonavam seus homens. Mesmo que provavelmente muitos deles merecessem. Mas lá estavam elas, com suas sacolas, esperanças, amor, visitando seus caras, seus homens. Confeso que não entendo as mulheres, mesmo que cenas como essa me causem uma admiração por sua fibra.
Fiquei por ali terminando meu cigarro e observando tudo. Depois entrei no jornal, e enquanto fui pegar um café ouvi a voz de uma mulher. Ela estava falando com a secretária, pedindo para deixar o celular com ela até terminar a visita porque não podia entar com o aparelho. Fui ver a mulher, percebi que era uma das mulheres que eu havia visto na fila em frente ao Instituto Penal. Uma jovem e bonita mulher.

21 de out. de 2009

Cidade Fantasma


Na lona.
Mariana deveria saber e Raul não sabia como lhe contar. Mais uma vez ele havia perdido.

19 de out. de 2009

Velho

"Você parece desanimado. Tudo certo?"

"Perdi uma mulher."
"Logo vêm outras, e você também vai acabar perdendo elas."
"Pra onde elas vão?"
"Experimente isso aqui."
Era uma garrafa em um saco. Tomei um gole. Vinho do porto.


(Do livro "Factotum" de Charles Bukowski)

17 de out. de 2009

.Cidade Fantasma

Sentado na varanda, observando a noite ele cantarolava:
Es la historia de un héroe de hoy


Con el cabello que le vuela al viento

Él, la carretera y su camión

Lleno de ilusiones desde en el pecho

Tiene un sueño, ir a nueva york

Con la mujer que ama

Ir con su camión hasta las nubes

Mientras tanto viajar sin parar

Nostalgia va y va y va

Nostalgia viene y viene y viene

Y soñará ...


Es la historia de un héroe de hoy

Con el cabello que le vuela al viento

Él, la carretera y su camión

Lleno de ilusiones desde en el pecho

Tiene un sueño, ir a nueva york

Con la mujer que ama

Ir con su camión hasta las nubes

Mientras tanto viajar sin parar

Nostalgia va y va y va

Nostalgia viene y viene

Y soñará ...

Nostalgia va y va y va

Nostalgia viene y viene y viene

Y soñará ...

15 de out. de 2009

Cronópios


O belo e prestigiado site Cronópios (http://www.cronopios.com.br/ ) publicou um conto meu. Enviei o conto e me pediram uma ilustração também. Fiz a ilustra e publicaram os dois. Faz muito tempo que não sou publicado em outros lugares. Houve uma época em que enlouquecido eu mandava colaboração para todo lugar, desde sites que você vai lá e publica por sua própria conta. Cansei disso e raramente envio alguma colaboração. O site Cronópios é um desses que o cara gostaria de ter algo publicado. Bom, os caras publicaram meu conto Se tudo fosse tristeza. No mais ando devagar, sem ânimo para escrever, às vezes penso em algo. Problemas particulares, saudade, decepção em relação às pessoas, a baixeza das pessoas... Isto tudo me bloqueia. Valeu.

2 de out. de 2009

Clube da Luta


#1 - The first rule of Fight Club is, you do not talk about Fight Club.
#2 - The second rule of Fight Club is, you DO NOT talk about Fight Club.
#3 - If someone says stop, goes limp, taps out, the fight is over.
#4 - Two guys to a fight.
#5 - One fight at a time.
#6 - No shirts, no shoes.
#7 - Fights will go on as long as they have to.
#8 - If this is your first night at Fight Club, you have to fight.



29 de set. de 2009

Mãos de Cavalo | Daniel Galera



Faz tempo deixei de falar de escritores. Falo apenas quando gosto, mas senhores, li o tal Mãos de cavalo, de Daniel Galera. Festejado, aclamado, lambido, publicado pela Companhia das Letras... Eu pergunto, tem algo no livro que eu não vi? Fiz um esforço para terminá-lo. Tá certo. Ao menos ele consegue escrever um romance, mas é para estar entre os badalados novos autores?


...



Está bem. Não consigo escrever um romance. Estou escrevendo algo que não sei como denominar, fragmentos, histórias soltas sem começo, meio e fim. É mais ou menos assim, uma Polaroid de momentos, imagens escritas. Você vê um casal, ou uma mulher solitária ou um guri espiando duas belas garotas tomando sorvetes numa tarde de sol e o senhor Emerson escreve algo. Claro, nada existe. Esse negócio que não sei o que é chama-se Cidade Fantasma. Fragmentos da vidas de pessoas, personagens engolidas por essa cidade que também não existe, ou exista e seja apenas mais uma cidade como tantas outras. Depois junto tudo e formo algo que não é romance, não é contos. São retalhos, fragmentos de histórias como se fossem tiradas por uma Polaroid.

21 de set. de 2009

Allan Sieber


Recebi o convite para mais um lançamento do cartunista Allan. O lançamento será no Rio de Janeiro. Gostei da capa do livro. Como já disse anteriormente nesse blog, gosto do trabalho do Allan. Mais um livro para rir um pouco com suas piadas. Vou ver se consigo o livro para ler.

16 de set. de 2009

fantasma

Outra vez
cinzeiro fantasma
copo fantasma
cidade fantasma
mulher fantasma
saudade fantasma

8 de set. de 2009

Pernas de Aço

Foto de Luiz Filipe Ogro

2 de set. de 2009

Os grandes

Eu não vi um Van Gogh,
um Velásquez,
um Toulouse -Lautrec.
Não vi os grandes e talvez não verei.
Eu não me perdôo.

25 de ago. de 2009

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13 de ago. de 2009

Allan Sieber


Clique na imagem para ler. Claro. Visitando o blog do Allan acabei descobrindo mais uma oração para a lista de orações que faço. Grande Allan.

12 de ago. de 2009

Agosto

O mais importante era aquilo. Uma Colt 45 na cintura, escodida sob o casaco. Lola andava pelos corredores do supermercado a espera. Pintava os lábios de um vermelho berrante, pegava batatas fritas, cerveja, refrigerante, cigarros. Depois atravessava o centro da cidade até seu apartamento. Solitária com a tv ligada devorava tudo com a Colt sobre o criado-mudo.

1 de ago. de 2009

Wayne

- é você?
- sim, sou eu.
- onde estava?
- por aí.
- huumm.
atravessou a sala e foi para a cozinha. andou como John Wayne. abriu a geladeira e bebeu um copo d'água.
- o dia logo vai amanhacer - disse.
- você vem pra cama?
- claro - respondeu. - vou apenas fumar um cigarro antes.

30 de jul. de 2009

sub-literatura

Apesar de eu não conseguir escrever mais, um e outro aparecem por aqui. Talvez atrás da minha não literatura, ou da minha sub-literatura ou as duas coisas juntas. O negócio é que não tenho escrito mais nenhum continho e assim, claro, não tenho publicado.
Gracias, amigos.

Assassinos S/A Volume II

Buenas, vou participar da coletânea de contos policiais Assassinos S/A Volume II. (Ed. Multifoco), não como "escritor" mas como ilustrador. Sim, o velho Wiskow não vai escrever nenhum conto policial, vou ilustrar um ou dois contos de outros escritores. Vou tirar a caneta da gaveta.

22 de jul. de 2009

twitte

Tá certo, tô lá. Quem desejar seguir. http://twitter.com/emersonwiskow
Enquanto isso, nada de novo. Semana passada fui convidado para participar de uma Antologia, um projeto bacana. Ainda não respondi se aceito, estou sem tempo para escrever. Teria que escrever um conto policial, a idéia me agrada.

11 de jul. de 2009

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Batman?

9 de jul. de 2009

Medusatecnicólor



Antigo quadro que fiz. Arte digital. Produzi alguns que se perderam com o tempo, dei para amigos, parentes. Só restou este. Acho que faz seis, sete anos criei este quadro. Depois abandonei completamente essa história de criar imagens. À vezes passa por minha cabeça voltar a fazer algumas criações assim. Buenas, é isso.

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carmem sorria. Sorria sempre com olhos tristes. Deixava aquelas pernas ali sobre a cama, vermelha, fios puxados, rasgada. Fumava um cigarro de canela, sempre. Cheiro ruim. Contava algumas histórias e depois tirava a roupa. Nunca deixava nada. Carlos ouvia irritado. Gostava da meia-calça, das coxas. Carmem sorria e pedia boleros.

7 de jul. de 2009


Como eu disse antes, fui dar uma zanzada na Feira do Livro de Canoas. Aproveitei para assistir a palestra do escritor Luiz Ruffato, autor de Eles eram muitos cavalos. fui lá e peguei um autógrafo do cara no livro Eles eram muitos cavalos que meu amigo Mario Telmo havia me presentiado.
Não lembro o que eu disse para Ruffato. Não lembro o que ele disse. Pensei em falar que "escrevia", que tinha um blogue onde publicava alguma coisas. Mas decidi não falar nisso. Imaginei ele pensando: Bah, mais um com esse papo de eu também escrevo. Fiquei na minha. Gostei da opinião dele sobre a nova literatura, a nova cara do romance. Aspectos que ele usou no Eles... algo não tão linear como os romances tradicionais. Buenas, também penso assim. Assim que usei um pouco disso no meu La Revancha Del Tango.

30 de jun. de 2009

Cidade Fantasma

22:04 - Noite Terça-feira

Mioko observa enquanto espera sua Fanta Uva, lá fora uma suave brisa lambe à todos como adagas afiadas.

24 de jun. de 2009

Motel

23 de jun. de 2009

Está acontecendo a 25ª Feira do Livro de Canoas. Pretendia dar uma passada por lá no domingo já que nesse dia estaria o Lourenço Mutarelli autografando e depois daria uma palestra. Mais uma vez o senhor Wiskow perde tudo e cada vez mais recluso não foi. Admiro muito o trabalho do Mutarelli, estava bem afim de conhecê-lo. Buenas, segunda-feira consegui aparecer por lá para ver a exposição internacional de quadrinhos que está acontecendo na Feira. Encontrei meu amigo Mario Telmo que está ajudando na organização da Feira e está por lá trabalhando. Primeira coisa ao encontrá-lo fui malhado por ele por não aparecer no domingo e ter assistido a palestra com o Mutarelli e ir almoçar com eles. A turma da organização da Feira e o próprio Mutarelli, claro que lamentei. Depois Telminho me apresentou o Allan Sieber que também estava por lá autografando e palestrando. Meu velho amigo me chamou:
- Emerson, quero te apresentar o Allan.
- Tudo bom.
- Tudo bom.
Apertos de mãos.
- Esse é meu amigo que te falei que é da antiga, quando tentamos publicar uma revista de quadrinhos. - disse Telmo para o Allan.
- Publicar quadrinhos é foda. - disse Allan.
- O Emerson publicou um livro pela Mojo.
Nesse momento pensei que o Allan diria algo como, What?!!
Trocamos meia dúzia de palavras e depois cada um foi para seu lado. Allan pareceu simpático, acessível. Continuei por lá olhando a exposição, mais tarde com chuva e frio, eu, Telmo e outro amigo fomos para um bar beber um café. Conversamos sobre quadrinhos, desenhistas e rimos olhando os cartuns do Allan no livro autografado do Telmo. Gosto dos cartuns do Allan por ele estar fora dessa onda ultramegapoliticamentecorreta que paira soberana por aí.

22 de jun. de 2009

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Café, café e cigarros. Não consigo escrever mais nada. Assisti um filme dinamarques no fim de semana. Bom filme. Bom filme. Mais café, mais cigarros e nada.

10 de jun. de 2009

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Vento gelado no meio da noite. Na manhã seguinte Jonas reclama dos estragos enquanto suas narinas são invadidas pelo cheiro de bosta de vaca molhada pelo orvalho. Uma caixa de papelão úmida e desbeiçada ao lado de uma árvore sustenta um sabiá laranja que espia despreocupado as coisas ao seu redor. O vento continua assobiando no Sul.

Iggy Pop Préliminaires





Taí um cara que gosto, Iggy Pop. Estou louco para ouvir seu novo Cd Préliminaires. Eu deveria escrever minha nova micro-novela inspirado nesse disco. Talvez eu escreva uma.

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5 de jun. de 2009

Kung Fu

Morreu David Carradine. O mitologico Kung Fu do seriado que misturava arte marcial e western. Assisti muitos desses filmes, adorava e claro, ficava fascinado pelos golpes do cara e como ele derrotava os bandidos. No fim ele solitariamente deixava a cidade e partia sem rumo entre a poeira do Oeste. Carradine andava suido até que Tarantino resgatou o cara em “Kill Bill”.
Ontem David Carradine foi encontrado enforcado num quarto de hotel

3 de jun. de 2009

Minha próxima micro-novela terá como pano de fundo, trilha sonora a banda Nouvelle Vague.

2 de jun. de 2009

Allan Sieber


Fiz uma visita ao site do Allan http://talktohimselfshow.zip.net/e encontrei essa tira. Achei engraçada, o tipo de piadinha cretinha, mas que são engraçadas. Há muitos anos trabalhei num pequeno jornal no mesmo prédio que o Allan trabalhava. Ele publicava umas tiras em outro jornal concorrente, os dois jornais ficavam no mesmo prédio e no mesmo andar. Na verdade ele apenas aparecia por lá para entregar sua tira ou cartum, eu fazia diagramação no jornal concorrente e algumas ilustrações. Nunca nos falamos, encontrei o cara uma ou duas vezes no corredor do prédio. Ele já era meio conhecido, eu "conhecido" por meia dúzia de pessoas da cidade. No resto anônimo total assim como continuo. Buenas, o cara foi pro Rio de Janeiro e se deu bem. É conhecido em todo país, pubica seus quadrinhos e blá blá blá... Gosto do cara, do seu trabalho, gosto das suas piadas escrachadas, sem frescuras.