20 de jan. de 2010

Cidade Fantasma


Toni, Toni, Toni...
Óh, meu Deus!
Óh, meu Deus!
Toni...
Suor. Suor.
Toni debate-se na cama encharcada de suor. Virá-se, encolhe.
Moulin Rouge destruida, ele pensa, sonha. Está sonhando?
Putas.
A cidade destruída, em escombros. Toni, Toni. Alguns centímetros de pernas femininas, logo acima dos joelhos. Louise Joséphine Weber dançando para ele. "La Goulue" , A Gulosa. Veludo. Vermelho encarnado.
Toni, Toni... O corpo em suor, desmanchando-se. Mulheres vasculhando a cidade, entre os escombros. Toni..., elas gritam, chamam. Querendo destruí-lo, aprisioná-lo. Só restaram elas, mais fortes que as baratas. Nenhum homem. Querem destruí-lo. Sede. Amarrar-lhe as mãos, pendurá-lo e açoitá-lo. Toni, Toni. Elas reviram a cidade destruídas, pernas a mostra, como as dançarinas ousadas em seus movimentos de cancã. A cidade destruída. Mais fortes que as baratas. Ele acorda gritando, o corpo encharcado, o coração sobresaltado como que esmagado por cavalos.


19 de jan. de 2010

Cidade Fantasma


Roda Gigante.
Sabrina diverte-se vendo ela girar.

18 de jan. de 2010

Porto Alegre em febre alta


.Tempo. seco. Pouca umidade no ar.
Calor sufocante. Parece que todos derreteram. Isso lembra uma cidade fantasma.
- Sinara, vai levar os iogurtes?

Porto Alegre em febre alta


Joana deixava o calor entrar. Nas noites quentes da cidade ela espera por Carlos. Deita-se e espera, deixa tudo como ele gostava de ver. Como uma gueixa moderna. Fuma cigarros e deixa a marcas de batom espalhadas em copos e baganas. Gostava de servi-lo, beber e mostrar-se em poses que Carlos provocantes.

APARTAMENTO E UM MAÇO DE CIGARROS

Trecho do ebook LA REVANCHA DEL TANGO


Foi-me dito por um escritor que conheci: “É só uma dança, mas, afinal de contas, é a única dança.”
  William Boyd
 
  Primeiro dia. Sem música, apenas um quase silêncio. Melancolia. A Cidade Fantasma é uma merda. Assim continuará. O maior símbolo da cidade Fantasma é um avião numa praça morta. Assim como todas as coisas aqui, ele não voa.
  O apartamento é minúsculo e sobre o sofá  está um maço de cigarros e o livro Crazy Cook, de Henry Miller. O galo louco, o pau louco, o cacete louco de Miller. Um tempestuoso triângulo amoroso que leva o escritor ao desespero. Concluí que não gostaria de estar na pele de Henry Miller. Passo a vida evitando mulheres loucas, mas nem sempre consigo.
  Lembro de um tango, de Astor Piazzolla, de mulheres usando leves vestidos que deixam escapar longas e lindas pernas quando dançam. Lembro das mulheres que não conheci.
  Abro a geladeira para pegar uma bebida. Encontro apenas uma garrafa de coca light. Como Joana consegue beber isto? Tento beber um gole, desisto, pego o maço de cigarro sobre o sofá e espio a cidade lá fora enquanto a suave brisa da noite lambe meu rosto. Fumo um cigarro e penso nas coisas e tenho vontade de usar um chapéu panamá.

15 de jan. de 2010

.

Ontem mais um fechamento de edição. Cansado. Claro. Diagramar. Ajustar, colocar, tirar, depois colocar novamente.
- Ei, vamos ter que mudar essa matéria de lugar.
- Ei, talvez essa página caia.
- Ei, entrou um novo anúncio, terá que mudar a página.
Toda semana. Alívio e a edição está pronta. Agora é que esperar o dia seguinte para ver o jornal e torcer que você não tenha feito nenhuma cagada. Saio do jornal às 9 horas da noite. Dia quente e abafado. Cansado e aliviado. Pego o cigarro e acendo. Tragada, alívio. Noite bonita e agradável. Penso em passar num bar e beber uma cerveja. Sozinho. Resolvo ir para casa. Ônibus. Fecho em casa e como algo. Depois um banho e vou para o quarto. Fico apenas de cuecas, penso em escrever algum conto ou continuar minha micro novela. Cansado. Literatura? Minha Não Literatura. Cansado demais para ela hoje. Então deito na cama, acendo outro cigarro, pego um livro para ler algumas páginas e ligo a tv. Tento relaxar um pouco. Os insetos sobrevoam o quarto. Amanhã é ver se saiu algo de errado na edição do jornal.

13 de jan. de 2010

.

Algumas vezes alguns caras, leitores passageiros dão as caras por aqui. Como os antigos andarilhos que surgião em uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul ou de outro lugar do país. Muitas vezes entram o blog ao acaso, como a cidadezinha, mais uma entre milhares. Wilame Prado apareceu por aqui, a  "Cidade Fantasma" e resolveu deixar um comentário, um pequeno texto usando alguns títulos de meus contos e personagens. Resolvi publicar o comentário como uma força de agradecimento pelas palavras, pelo texto.

Wilame Prado disse...


Depois de ler o blog todo “Velho Caubóis não Choram” e finalizar mais uma leitura aprazível de Wiskow, em “Rua Alvorada”, olho para cima, sinto um calor imaginário desgraçado, vejo o ar condicionado do escritório, tomo meu café preto na caneca amarela dos Simpsons e sinto saudade daquele tempo, em que ainda não vivi, como caubói novo, sem muito balcão, sem muitas moças do calendário, sem muitas camionetes ou furgões que levantam a poeira da estrada, nada de assaltos a bar, nada de danças com Lilli, nada de nada, sem moreninha deslizante no bar sujo dos homens, sem pais gigantes, sem cobras e lagartos preso numa camionete no deserto sem gasolina, sem Juliana nem Dostoiveski, sem lembrança alguma do velho México, sem Príncipe Tsaphkiel e sem Jussara me esperando, sem nada de nada mesmo. O jeito é assistir, sei lá, “Onde os fracos não têm vez” e esperar mais algum texto teu.

Alice no País das Maravilhas


Alguns posters bacanas de filmes. Alice no País das Maravilhas (Diretor, Tim Burton)
. Meus personagens favoritos - desde que assisti o desenho animado séculos atrás, e bem mais tarde li o livro -, são o Chapeleiro Maluco e o Gato. Outro poster bacana é o do filme Distrito 9 (Diretor, Neill Blomkamp).


12 de jan. de 2010

Story

Story. Story.
Ah, eu queria viver uma love story - disse ela.
Tipo Lagoa Azul, sabe.
Sei.
Um paraíso perdido. Só eu e você - ela continuou.
Algo bem love story, sabe.
Sei.
Você gostaria?
Claro.
Comigo?
Com você.
Só nós dois.
Sim.
Você pescaria pra mim, nadaríamos nus, dormiríamos sob as estrelas.
Que beleza. Mas sabe, eu gostaria que tivesse junto algumas caixas cheias de cigarros. Eu sentiria falta deles, da vontade de fumar. Sem eles não estaria completa nossa love story.
Você deve ser o cara menos romântico da face da terra - disse ela. Cruzes, nunca vi.
Nem eu.

,




Fim de festa, Senhor Wiskow.

11 de jan. de 2010

fight

Mister Hollywood não corre na velocidade da luz
Não tem mais fôlego
Cansa fácil e desiste. Desiste e quando pensa que vai desistir, volta a tentar. Oh, ela grira, Mister Hollywood!!
OOhhh!!!!
Você, você!! Isso...
Mister Hollywood não sabe cantar mulheres. Não sabe cantar.
Mister Hollywood  gostaria de lutar o Ultimate Fighter e ter um amigo que morasse na Baker Street. Fumar cachimbo com Holmes e Watson. 
Ela diz, Mister Hollywood!! Mister Hollywood!!
Isso, isso…
Mister Hollywood, não ultrapassa mais a barreira do som. Não veste mais o uniforme do Arqueiro Verde. Gsotaria de lutar no Ultimate Fighter.
Ela grita, OOhh, oohhh...

OS SUBSTITUTOS (Bukowski)

...agora nossos escritores

discursam em universidades

de terno e gravata,

os aluninhos atentos e sóbrios,

as aluninhas de olhos vidrados

olhando

admiradas,

a grama tão verde, os livros tão chatos,

a vida tão morrendo de

sede.

Partículas do Cotidiano Demente - Parte I (Emerson Wiskow)


Você ainda me ama? - perguntou ela.
Martin continuou com os olhos fechados, fingindo estar dormindo.

7 de jan. de 2010

Nouvelle Vogue


...


Finalmente voltei a arriscar nas HQs. Fazia algum tempo que batia a vontade de desenhar, mas vários fatores impediam. Buenas, geralmente quando escrevo não consigo desenhar. Não sei o que acontece, meu cérebro parece que se direciona para apenas uma coisa. Desde envolvimento, linguagem. Acabo não conseguindo, a história e linguagem ficam na minha cabeça, parece que tenho que explusar um como um espírito que tomou conta de mim, e só assim fazer outra coisa. Desta vez vou tentar fazer as duas coisas. Estou escrevendo uma história "inspirada"  pelo grupo Nouvelle Vague. O argumento da minha pequena HQ é sobre um super-herói que sofre de insônia e depressão que em suas noites solitárias liga para uma garota de programa para lhe fazer companhia. Estou fazendo tudo muito, muito lentamente. Entre as brechas de tempo que consigo.

5 de jan. de 2010

9 Songs



Um amigo me emprestou o filme (de 2004), do diretor Michael Winterbottom. Mistura de sexo e música, claro. Oito bandas, 9 Canções. De qualquer modo gostei. Bom para ver acompanhado. Belo cartaz.

4 de jan. de 2010

Brigitte Bardot

Brigitte Bardot. Era isso. Brigitte Bardot. Quando jovem. Sim, quando jovem. Eu sabia. Aposto que ali ninguém sabia, ninguém havia pensado nisso. Todos os homens olharam, todos os caras viraram o pescoço. Era linda. Linda como uma francesa. Uma francesa com biquinho. Sim, ela fazia biquinho quando falava. Eu vi. Vi. Ela pediu um xis salada. Um xis salada completo; com carne, alface, ervilhas, milho, maionese e ovo. O cara da lanchonete chegou para fazer o pedido.
- Um Xis Salada - ela disse. Com biquinho, ela fez biquinho, parecia uma francesa, parecia Brigitte Bardot. Linda. Linda.
- Completo?
- Sim, completo. Com ovo.
Com ovo, ela disse. Com ovo, disse ela com biquinho. Fez um lindo biquinho ao dizer a palavra. Uma palavra nunca se tornara tão bonita para mim. Os caras disfarçavam e olhavam. Eu também. Parecia uma visão, parecia não existir. Aposto que eles não sabiam. Ninguém sabia, apenas eu. Eu sabia, ela parecia a Brigitte Bardot. A cara, o focinho. O corpo. Ah, o corpo. Brilhava, parecia brilhar. Brilhar não. Iluminar, ela iluminava, era iluminada. Parecia uma visão. Parecia não existir. Beleza. Aquilo era beleza. Aquilo era A beleza. Atraía. Atraía os corpos ao seu redor. Atraía meu corpo. E fazia biquinho. Pediu uma Coca, com biquinho. Não tinha. Uma Pepsi. Vai de Pepsi. Fez bolinha. Era o gás. Eu sabia. As bolinhas subiram, ela bebeu. Os lábios, os lábio molhados, as bolinhas.
Dei uma dentada. Brigitte Bardot. Dentadas. Mordi meu xis. Xis Galinha. Ela gosta de bichinhos. O meu era sem maionese. Mordidas. Dei outra. Queria ela. Queria poder mordê-la.
- Salta um Xis Salada completo. Berrou o cara.
Com ovo, pensei. Com ovo. Ela agradeceu. Mordeu. Queria mordê-la. Olhos grandes, azuis, brilhavam. O cabelo também. Dourados, ondulados. Seu corpo, ondulado. Montanha. Queria subir em sua montanha, meter a cara ali. Sim, entre elas. Entre ela. Queria uma assim.
- Mais um refrigente - pedi. Já sei. Sim, pode ser. O meu também fez bolinhas. Ela engoliu. Outro pedaço. Mastigou, engoliu, comeu. Eu queria comê-la. Engoli-la. Ver ela engolir. Com biquinho. Era linda, deveria ser lindo de sê ver. Sem maionese, o meu. Ela gostava com. Deixou um poquinho no canto da boca. Eu vi. Ficou ali enquanto ela engolia. Maionese. Ela limpou depois. Brigitte Bardot. Comi meu xis. Acendi um cigarro. Fiquei matando tempo, para vê-la. Para vê-la comer. Para vê-la existir. Os caras disfarçavam. Eu também. Depois arrisquei mais. Fiquei encarando por um tempo. Um breve tempo. Ela me olhou. Eu vi. Ela viu. Os caras viram. Eu tremi. Sou um merda. Eu tremi. Brigitte Bardot. Desviei o olhar. Garrafa, mesa, parede, tragada. Sou um merda. Eu queria vê-la nua. Não ali. Podia ser. Imaginei ela nua. Ali, fora dali. Na minha cama, numa cama. Parecia não existir. Ela mordeu novamente. Mastigou, engoliu, bebeu um gole de refrigerente. Xis salada. Ela gosta de Xis Salada. Linda daquele jeito. Brigitte Bardot. Terminou o xis, o refrigerente. Depois pagou. Foi embora.
Foi embora.
Foi embora.
Foi embora.
Foi embora.
Brigitte Bardot. Eu sabia. Ninguém ali sabia.
Queria vê-la nua.
Xis Salada, com ovos.
Eu lhe mostraria.
Queria comê-la.
Brigitte Bardot. Eu sabia. Ninguém ali sabia. Aposto.

31 de dez. de 2009

2010


Feliz Ano Novo Cabrones!

29 de dez. de 2009

.Fábula wiskoniana


Jorge, seu monstro!! Seu monstro! Jamais serei sua, jamais!

28 de dez. de 2009

Daniel na cova dos leões

Terminei a história que estava escrevendo. Daniel na cova dos leões. Publico um trecho dela aqui:

Daniel na cova dos leões
(Primeiro dia)
James Dean

A primeira coisa que me chamou a atenção ao entrar no quarto dela foi um pôster gigante de James Dean na parede. Ficava na cabeceira de sua cama como a imagem de um Jesus Cristo. Ele lançava um olhar perdido, descansando um cigarro na ponta da boca, tinha um olhar que eu jamais faria igual, uma beleza que eu não tinha e um Porsche Carrera que eu jamais teria. Tentei não me intimidar com a imagem e desviei o olhar para as dezenas de vinis na estante. Enquanto eu fingia analisar os discos com curiosidade ela andou até o criado mudo, abriu a gaveta e de lá tirou um pequena bucha de plástico.

23 de dez. de 2009

.Iggy Pop


18 de dez. de 2009

Foi-se


Buenas, se foi o ano. Um bem... fraco, ruim. Não de todo, claro, mas... passou-se e não produzi muita coisa, nenhum livro, nenhuma HQ, passei o ano vendendo o almoço para comprar o jantar, mas... Não foi de todo ruim. Ainda consegui vender o almoço para ter a janta. Virei um otimista? Dei-me conta que estou publicando neste blog há três, quatro anos. Este é a continuação do Cavalos um, onde deletei todos arquivos, somando o tempo de existência  do primeiro com este, lá se vão praticamente quatro anos. A Mojo books publicou a minha novela Novela La Revancha Del Tango, no qual fiquei bem satisfeito com o resultado e surpreendido com os mais quase 20.000 downloads que o livro teve. Também andou saindo alguma coisa em revistas virtuais, e só. Bom, talvez não seja tão ruim assim. Alguns caras resolveram publicar minhas historinhas, mas nada de livro, garoto. Também não foi um ano de grandes noitadas (pobre Wiskow), mas como eu disse, vem um ano novo por aí. O negócio é que pretendo escrever um livro de contos no próximo ano e talvez enviar para alguma editora, o provável é que acabe publicado por aqui mesmo. Também pretendo escrever outra micro-novela, e cabrones, desenhar algumas HQs. Lá por janeiro, fevereiro parece que sai o livro Assassinos S/A II, que participo como ilustrador juntamente com outros caras muito bons. Também eu e alguns velhos amigos estamos pensando em voltar com um antigo projeto de uma revista de quadrinhos, a AMOR BANDIDO. No mais era isso, vamos torcer que seja um ano melhor, e que o velho Wiskow ganhe grana, que levante a bunda da cama e produza mais, que os deuses lhe protejam e que sua namorada não lhe deixe de castigo. 

16 de dez. de 2009

.


15 de dez. de 2009

Cidade Fantasma


Nidra deita-se no chão frio do banheiro. Liga o chuveiro e  deixa a água cair sobre ela. Esquece os em fantasmas, sussura e grita de prazer.

14 de dez. de 2009

. Cidade Fantasma


Martina debruçada na janela de seu apartamento, observa como se tivesse os olhos mergulhados em nuvens o dizer do Outdoor encravado na cidade.

13 de dez. de 2009

Crítica


Sabe, eu estava e casa, lendo algumas coisas de blogs antigos que eu tinha, arquivos antigos. Passando o tempo enquanto tomava coragem para voltar a pequena história que estou escrevendo, Daniel na cova dos leões. Então lendo trechos de antigos textos, comentários, encontrei este que um cara deixou:
"Bom, não quis emitir uma opinião apressada… continuei lendo o que você tem escrito aqui. Cheguei agora, com certeza, à conclusão de que é mesmo ruim e que você já deveria ter feito o que anunciou num texto anterior: “dar um tempo” com a Literatura. Nunca li nada seu antes, por isso não sei se alguma vez você teve mesmo algo a ver com essa senhora. Acho que lhe falta imaginação mesmo, pelo menos no momento, para meter-se com a ficção. Esta historinha aparentemente infanto-erótica não é nada. Admiração babaca pelo Bukowsky já chega a ser lugar-comum entre pretendentes a escritores. Enfim… dê um tempo mesmo.


Desculpe a franqueza, talvez rude. Mas prefiro os que são francos comigo, até mesmo quando são rudes. Estou, portanto, apenas tentando “fazer aos outros o que gostaria que me fizessem”.

Um abraço. Diogo Álvares.
 
Não apaguei o comentário, deixei ele. Penso que manter um blog e permitir que as pessoas que passam por ele deixem um comentário é realmente colocar a cara a bater. Enfim, taí.

11 de dez. de 2009

Daniel na cova dos leões


O circo.

Cidade Fantasma


Apenas o mormaço e sonhos esquecidos.

Mulheres

8 de dez. de 2009

Velhos Caubóis Não Choram


Mais contos do senhor Wiskow

7 de dez. de 2009

A frase não era minha

Íamos de vinho. A frase não era minha, mas resolvi usá-la, tinha lido num conto. Encontrei-a por acaso, entre copos, bebidas, e batatas fritas. Eu devorava tudo. Ceveja e batatas. Ela falou de irlandeses bêbados e depois me levou para sua casa. Acendeu um cigarro e riu da marca do cigarro que eu fumava. Depois pegou a garrafa de vinho e assim foi. Íamos de vinho sempre. Depois ela dançava pra mim, levantava o vestido e mostrava sua calcinha de algodão.
- Eu li suas coisas – disse ela
- Leu?
- Sim.
- Hum.
- Não gosto. Não entendo. Não gosto delas, não acredito que você seja um escritor. Você é um falsário.
- Não posso condená-la por isso. Não está sozinha.
Ela bebeu mais um gole. Fazia isso com vontade. Depois começou a cozinha para mim. Dizia que gostava e sorria. Eu gostava. Gostava de comer o que ela cozinhava. Gostava de vê-la desfilando com seus vestidos e suas calcinhas de algodão. Gostava de pegá-la na cozinha. Depois bebíamos mais vinho e fumávamos mais cigarros. Tudo foi assim por uma semana. Nós íamos de vinho sempre, ela colocando Creedence no aparelho de som, dançando, desfilando suas calcinhas de algodão, cozinhando e dizendoq eu eu não sou e não seria um escritor. Até o dia que ela sumiu. Recebi uma ligação dois meses depois, no meio da noite.
- Alô.
- Oi, continuo lendo suas coisas, mas você não é escritor. E nunca será.
Dei um sorriso e traguei meu cigarro.

4 de dez. de 2009

Joe Sacco






O baixinho aí é Joe Sacco, genial desenhista de quadrinhos que desenhou entre outros "Palestine". Então você está no bar, olha aquele cara, falando algo, baixinho, calvo, de aparência simples... E descobre que o cara é Joe Sacco!!. Enquanto outros que se consideram grandes "artistas"...

. Cidade Fantasma


O Cartunista.

Como se flutuasse

Buenas, estava olhando alguns escritos meus e encontrei essa pequena história Pulp que escrevi há algum tempo. Uma histórinha policial, era para ser uma história de três ou quatro capítulos. Fiquei no primeiro. Taí:

Como se flutuasse

As coisas andavam devagar. Eu estava acendendo o primeiro cigarro da manhã quando alguém bateu na porta. Simplesmente gritei: — Entre! A porta abriu-se lentamente e então ela surgiu como se viesse diretamente de um sonho. Um sonho dourado.
Estava metida num vestido justo que mostravam todas suas curvas. Os cabelos presos caprichosamente atrás da cabeça eram negros e tinham um brilho que eu não havia visto até aquele momento. Os quadris dançavam elegantemente e com um sorriso discreto e malicioso ela entrou.
O relógio marcava pontualmente oito horas. Minhas manhãs não costumavam começar assim. Então fingi que vivia andando com mulheres tão ou mais belas que ela. Que a cada minuto uma delas batia à minha porta implorando para sair comigo. Olhei para seus pés para me certificar que ela andava, parecia flutuar como se nada fosse digno o suficiente para ela colocar os pés.
- O senhor é o Detetive Wilson?
- Sim… E a senhorita se chama…?
- Helena. Maria Helena.
- Sente-se, por favor.
Ela sentou.
- Preciso de você!
- Humm.
- Tenho tido problemas há algum tempo. Acho que estou sendo seguida.
- Não é de estranhar.
- Como?
- Desculpe. Continue, por favor.
- Algo está fervendo - ela disse de súbito.
- Dá para notar? - perguntei com um sorriso malicioso.
- Aquela água.
Saltei da minha cadeira estofada. Velha, mas estofada. Era a água que eu tinha posto para esquentar o chimarrão. Eu estava nessa de tomar chimarrão todas as manhãs. Mantinha um pequeno fogão de duas bocas para fazer café ou alguma refeição rápida. Apaguei o fogo e voltei pra ela.
- Desde quando a senhorita percebeu que estava sendo vigiada?
- A mais ou menos um mês.
- Humm. Desconfia de alguém?
- Não. Na verdade, sim.
- Sim?
- Sim.
- Ok, de quem?
- Um alienígena.
- Humm.
- Você parece não acreditar, senhor Wilson.
- Acredito.
- Vai pegar o caso?
- Não teria como não aceitar um pedido de você - eu disse. Ela sorriu confiante.
- Quanto sairá o trabalho?
- Estudarei o caso e lhe informarei.
- Ok. Este é o meu cartão. Aqui está o número do meu telefone. Por favor, senhor Wilson, me mantenha informada. Quero me livrar disso, dessa sensação, desse alienígena!
- Não se preocupe, a senhora está em boas mãos.
Ela levantou-se e estendeu a mão para mim. Era suave, muito suave. Era como se eu tocasse num anjo. E então ela se foi. Novamente olhei para seus pés.
Ainda desconfiava que ela flutuasse.

2 de dez. de 2009

Hemingway e Bukowisk

Ontem não sei por qual motivo estava pensando em quais autores me influenciaram. Acho que Hemingway e Bukowisk. Penso que perdi bastante essas influências. Mas ainda gosto da idéia do boxeador. Socos certeiros e rápidos. Sou um cara que escreve para poucos rounds, sem fôlego e quando se escreve assim, tem que tentar vencer antes do quarto round ou você beija a lona. Tento dar esses socos, ser rápido, mas o ringue me engana, me perco quando entro nele.

Gênesis


Então o mestre  Robert Crumb resolveu desenhar o Gênesis. 
Primeiro, era o verbo...

29 de nov. de 2009

.

GOOD BYE, Bukowski!

27 de nov. de 2009

Cidade Fantasma


RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- AAAHHHHHHHHHHHhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Madrugada.

. Cidade Fantasma


Sexta-feira. Cidade Fantasma. Verde. Imagino o verde. Um verde suave e bonito, mas o céu e as ruas se cobrem com um gris. Tudo parece em tons de cinza. O ar úmido, as calçadas ainda molhadas pela chuva recente. É sexta-feira. Uma merda. Uma merda de uma sexta-feira entediante. Entro no prédio e encontro um grupo de cabeludos, jaquetas de couro, parecem bonecos de brinquedos. Bibêlos, Simpons, bonecos emborrachados que colocamos na estante. São quatro e três deles usam óculos escuros. Uma volta no tempo, o corredor do tempo. São os Ramones, lembram os Ramones. São os Ramones. Dá vontade de voltar a ouvir aqueles caras.

26 de nov. de 2009

Matadouro 69 (Parte II)


Deixei Andira e segui meu caminho para encontrar Nara.  Comecei a pensar em porcos enquanto andava. Porcos. Andira gostava de lançar seus dardos envenenados em mim, em Nara, sua amiga, em qualquer mulher que atravessa-se o meu caminho. Fomos quase amantes. Quase. Uma ou duas semanas foram o suficiente para ela quase me enlouquecer. As mulheres geralmente me levavam um pouco mais que isso, mas com ela foi diferente. Eu sempre soube que ela era louca, tinha instintos assassinos. De Nara eu aidna não sabia muito, apenas que ela trabalhava no matadouro. No caminho até lá eu tinha que briblar alguns cães que viviam zanzando pela rua rosnando para os transeuntes.

24 de nov. de 2009

Professor de Desejo


Estampado na camiseta da garota, o grande escritor Philip Roth.

23 de nov. de 2009

Pobre Frank

Conto que escrevi há algum tempo.


Frank, Frank! Perdeu tudo. Perdeu o amor, perdeu seu amor. Pobre Frank solitário. Quantas noites tristes e escuras. Apenas paredes e nada mais. Os olhos sombrios, melancólicos num rosto marcado. Pedaços. Todo pedaços. Monstro, feio, assustador. Pobre Frank solitário. Desejava amar, se arrastava na relva úmida e fria. Pobre Frank sem amor. Pobre Frank sem sol. Esgueirava-se e observava o amor que desejava. Não pôde ter. Nunca poderia. Amaldiçoado. Uma besta fera. Todo pedaços. Coração, pernas e braços. Dormia sozinho nas noites de lua cheia. Dormia sozinho nas noites sem lua. Não gostava de multidões. Apedrejado era. Golpeado. Coração. Pobre Frank solitário. Queria sorrir. Chorava. Pobre Frank sem donzela. Desenterrado e enterrado. Torre vazia. Paredes escuras, sombras por companhia. Monstros imaginários. Encolhido, entristecido, ferido. Gigante apequenava-se em solidão, encolhia, murchava, secava. Pobre Frank, pobre Frank! Não há compaixão. Era pedaços. Porão. Trevas, escuridão, lágrimas. Não deveria existir. Existiu. Não deveria nascer. Nasceu. Pobre Frank! Quebra-cabeça juntado. Retalhado. Pobre Frank sombrio. Costuras, restos, tecidos, ossos, trovões. Sem sorriso, nunca sorriu. Parafusos, linha, retalhos. Correu. Noite fria, noite quente, escuridão. Folhas de outono despencando. Balé confuso. Atacado, atacou. Ferido, feriu. Pobre Frank! Mil almas. Gigante, feio, grotesco. Corre Frank, corre! Pobre Frank! Chora nas noites. Corre Frank! Se esconde. Espia, vigia, ama. Recortes, pedaços juntados. Covas violadas. Miolos, víceras, membros, ossos. Relâmpagos, trovões, estrondos, sustos. Lento movimento. O coração de Frank, a alma de Frank. Domingo, segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado. Pobre Frank. Solidão, sem amor, quer amar, se esconde. Tem que se esconder. Grotesco. Rins, pele, manchas, hematomas, costuras, pedaços, retalhos, remendos, junção. Pobre Frank! Construído, repelido, escondido. Fios, eletricidade, raios e trovões, nuvens carregadas, descarga elétrica, pulso! Desenterrado, misturado. Não era um. Vários. Nasceu. Foi criado, olhos abertos, dedos, movimento, trovões, descarga elétrica. Pobre Frank! Não é ele. Vários. Atacado, defesa, fuga, medo. Corre, Frank, corre! Destruição, arma, fogo, perseguição, trevas. Floresta úmida, noite gelada, solidão, útero. Não teve útero. Perdeu tudo, nunca teve nada. Deseja, deseja, deseja. Chora. Frank abriu os olhos. Despertou. Levantou-se e andou. Pobre Frank! Viram ele. Assustaram-se, chocaram-se. Pobre Frank sem amor. Grotesco, perseguido, assustado. Só teve porões mofados, queria amar, perdeu tudo, nunca teve nada. Donzela, amada, sonhada, desejada. Entre arbustos observava, coração apertado, retalhos, pernas, miolos, olhos, mãos. Junção de cadáveres. Hediondo. Criado. Não era um, era vários. Solitário, solitário demais. Ódio. Ódio, Ódio. Descoberto, perseguido, fugitivo. Costuras, remendos, enxertos. Raios, trovões, relâmpagos, fluídos, fluídos, fluídos. Cabelos, víceras, membros, linha, linha e costura. Pobre Frank criado, inventado. Corre Frank! Vários dias, semanas, anos. Becos, ruelas, vilas, bosques. Pedra fria. Noites, dias. Pobre Frank! Monstro, monstro, monstro! Não quer mais, não quer mais! Cansado, esgotado. Forte, muito forte, assustador, gigante, desajeitado, desalinhado, horrível. Hematomas, costuras, dedos, unhas, miolos. Coração. Sem lar, caçado, ameaçado, ameaçador. Grotesco. Loucura. Conjunto de partes. Vida, suspiro, fluídos, desejos. Desejos, desejos, desejos. Pobre Frank! Corre, Frank! Sem nada, atordoado, atormentado. Frank, Frank, Frank. Perdeu tudo, não tinha nada, não teve nada. Sem amor, sem amor. Tristeza e escuridão. Ratos, teias, aranhas e fungos. Quantas noites, eternidade, quantos dias, eternidade. Eternidade, eternidade, eternidade! Ossos cortados, carne rasgada, marcas, marcas, cicatrizes. Um conjunto. Feio, hediondo, horrível, grotesco. Pobre Frank! Perseguido, não podia viver, apenas mortes, nasceu de mortes, foi criado de mortes. Putrefação, sangue seco. Cérebro, cabeça, orelhas. Sem saída, perdido, sozinho, solitário, triste. Ódio, ódio, ódio. Podia amar, desejava amar. Espiava o sol, espiava as flores, dormia com a noite, chorava com a noite. Apenas noite, trevas, escuridão, sombras, porões. Umidade. Cemitério, defuntos, gente morta. Frank montado, costurado. Pedaços sem vida, viveram. Fluídos. Frank, Frank! Pobre Frank! Retalho. Desejos, perdido. O movimento, o primeiro movimento. Trovões, relâmpagos, eletricidade. Átomos, átomos, carne, carne, carne. Frank solitário, encurralado, apedrejado, ferido. Membros, víceras, cérebro, costuras, emendas, enxertos, cabelos. Grotesco, horrível, assustador. Frank desejava amar. Só tinha sombras, porões, matas, grutas. Perseguido, amaldiçoado. Pobre Frank! Corre Frank, corre! Lanças, tochas. Desenterrado, cortado, montado, costurado. Apenas sombras. Todo pedaços, retalhos, junção de mortos, raios, eletricidade e solidão. Pobre Frank, pobre Frank sem nada. Experiência, loucura, fios, corrente elétrica, fluídos, tumbas violadas, corpos despedaçados, escuridão, porão, noites, árvores sombrias, noites carregadas, negras, trovões, relâmpagos, Deus, homem, trevas, desejo, sonho. Pobre Frank. Pobre Frank. Retalhos, enxerto, costura, víceras, miolos, coração, membros, solidão, tristeza, ódio, medo, desejo.

Pobre Frank. Pobre Frank.

20 de nov. de 2009

Matadouro 69 (Parte I)


Tínhamos amigos em comum. Eu não sabia. Fui ao matadouro que ficava há poucas quadras dali. Andira disse que eu podia encontrá-la por lá. Entre bois, tripas, sangue e moscas. Senti aquelas palavras com uma ponta de maldade feminina. Um dardo envenenado lançado ao acaso mas com direção certa, uma lança ardente adornado com um belo laço vermelho. Andira esboçou um leve sorriso. Eram amigas. Deixei de lado e lancei uma última tragada no cigarro antes de dizer-lhe tchau e me dirigir ao matadouro.

.

Matadouro 69.

Watchmen


Assisti recentemente o filme Wathmen. Ótimo filme, ótima trilha sonora. Ouça aí o cara, Leonard Cohen, cantando Hallelujah.


18 de nov. de 2009

RUA ALVORADA

Durante toda aquela tarde de calor infernal os moradores da rua não colocaram o nariz para fora. Ninguém agüentava mais. Árvores, flores, cachorros, humanos, pássaros, insetos... Tudo sufocava, amolecia, esvaia-se até secar. A rua agonizava, fervia mergulhada numa massa quente. Fazia um mormaço terrível.
Um pequeno pardal tentou um vôo desesperado e não conseguiu. Despencou exausto e buscou refúgio na sombra de uma pedra. O bico aberto à cata de ar e de forças não foram suficientes para ele resistir ao calor. Foi o primeiro a morrer, depois dele, perto da casa oito um cão agonizava sobre o asfalto que fervia. Dona Maria observou horrorizada a cena. Já tonta e com os olhos embaçados ela tentou ir de encontro ao cão. Juntou forças para tentar o resgate e caiu antes mesmo de conseguir chegar ao portão que ficava a três metros de sua casa. Foi o segundo ser que pereceu sob o calor avassalador, o terceiro foi o cão que assava a língua esticada sobre asfalto escaldante.
As horas passavam lentas e o calor tornava-se cada vez mais sufocante. As rádios não sintonizavam, nem mesmo as televisões. Os telefones ficaram mudos. Todos os eletro-eletrônicos pararam de funcionar. Fios derretiam-se e desmanchavam-se continuamente transformando-se numa massa disforme. Os moradores ficaram sem qualquer informação ou contato com o mundo fora da Rua Alvorada. A rua tornou-se um ponto isolado no emaranhado de ruas da cidade.
O calor aumentava. Desesperados três homens e duas mulheres enrolaram-se em lençóis, encharcaram-se com água e saíram correndo na tentativa de fugir daquele inferno. Tombaram os cinco, sufocados e esgotados. Alguns minutos depois ferviam sobre o asfalto. A carne enegrecia aos poucos, os olhos esbugalhados, já sem vida, mostravam a agonia que passaram.
Mergulhada naquela massa quente a rua parecia tremular silenciosa como se não houvesse nada vivo por ali. Não se ouvia mais gritos. Ninguém tinha mais forças para gritar. Outros cães morreram, assim como pessoas, insetos, pássaros. O desespero tomou conta dos moradores. Alguns se arrastavam como moluscos anestesiados, outros juntavam o resto de força e rezavam enquanto o sol continuava explodindo lá fora. Uma família acompanhada por seus vizinhos juntou-se sob uma grande árvore. Repartiram a sombra e tentaram respirar. Os corpos encharcados de suor moviam-se lentamente, com moleza e desânimo. Observavam o tempo e esperavam, olhavam para o céu desejosos de encontrar alguma nuvem e contavam os minutos na esperança da noite chegar para amenizar o calor. Um a um caíram como folhas pressas em árvores por uma linha fina e frágil. Logo a Rua Alvorada encheu-se de mortes. Pássaros morriam, gatos, insetos, humanos. Tudo torrava. Ninguém sabia o que fazer. Agonizavam e o sol ardia cada vez mais.
As horas passavam numa morosidade inigualável. Perto, a vida continuava normalmente, nas ruas vizinhas, nas ruas dos outros bairros, nas ruas da cidade. Pessoas continuavam a viver e a realizar suas tarefas cotidianas sem nada saber do que acontecia na Rua Alvorada. Quase desmaiando um homem tentou loucamente se livrar do calor mergulhado numa banheira cheia de água. A água esquentou rapidamente chegando ao ponto de ferver. O homem desistiu, sufocou, catou o ar com todas suas forças até cair esgotado. Muitas mulheres choravam quase nuas, suas roupas ensopavam de suor. Na casa catorze uma família recolhia seus mortos. Sobre a cama do quarto do casal jaziam três pessoas da família. Um ao lado do outro eram velados naquele bafo quente no qual o quarto estava mergulhado. A janela aberta tentava resgatar um pouco de ar. Após algum tempo o filho mais velho carregou o quarto membro da família para a cama mortuária. Depois, esgotado ele fraquejou e deixou-se levar.
Sete horas da tarde e o sol continuou implacável, o mormaço não dava trégua e nada se movia. Os olhos ardiam na claridade da rua, o chão salpicado por pequenos defuntos dava a cena um ar bizarro. Cães com a língua de fora, mortos, espalhavam-se pelos pátios das casas, na rua e nas calçadas em frente às residências. Junto a eles pássaros e outros pequenos animais também jaziam espalhados pela Rua Alvorada. A única esperança tornou-se a noite que não chegava. Pensavam que com ela o mormaço, o calor e sol dessem lugar a alguma brisa, e com ela poderiam fugir dali. Do inferno que se abatera sobre a rua, sobre a cidade. Não sabiam que nas ruas vizinhas a vida continuava se desenrolando sem nada de anormal. O mormaço estancara sobre a Rua Alvorada engolindo-a como um monstro feito de massa quente. Ninguém mais conseguia respirar, ninguém mais agüentou. A noite chegou depois de uma eternidade que os relógios não marcaram, e uma suave brisa soprou sobre a Rua Alvorada.
Já não havia nenhum ser vivo que respirava na Rua Alvorada.

17 de nov. de 2009

Bar do Escritor


Buenas, descobri no blog do Cristiano Deveras, que o livro O Bar do Escritor (participei com três continhos), esteve exposto na Bienal do Livro de Goiás - 2009.

12 de nov. de 2009

Flickr


Meu endereço no flickr | Cartuns, Rabiscos, esboços, ilustras...

11 de nov. de 2009

.


CITY

10 de nov. de 2009

Roda Gigante


Cidade Fantasma | Noite
Algumas pessoas dormem. A roda gigante descansa solitária como um monstro espacial.

6 de nov. de 2009

Assassinos S/A


Cortei uma parte do original de uma das ilustrações que fiz para o livro Assassinos S/A II - que sairá no início do próximo ano - para postar aqui. Buenas, vi o trabalho dos outros ilustradores. Só feras, gente muito boa. Minha primeira reação ao ver as ilustrações foi pensar, não deveria ter aceito o convite para ser um dos ilustradores do livro. Estou sem prática e os caras estão afiados.
Buenas. Agora foi. Azar.

Velhos Caubóis Não Choram

4 de nov. de 2009

Cidade Fantasma

Vincent Bousserez

Apartamento 407
Noite.
Gisele e seus homenzinhos
Saimos todos por aqueles caminhos estranhos. Nos aventurando por ele, percorrendo cada pedaço. Despois de algum tempo tomamos coragem para explorá-lo. Era o corpo de um desses humanos, gigantes. Sabemos que ela se chama Gisele. A mulher. Pelo que notamos ela vive sozinha, dorme nua e pedi para que exploremos seu corpo. Deita-se e diz onde devemos ir, gostamos. É uma pele fresca, macia, entramos em cavernas e ela se retorce, geme, solta sussuros. Algumas parte umedecem, uma úmidade viscosa. Então ela se retorce mais e algumas vezes parece ficar fora de controle. Ela nos mantêm presos aqui e tentamos fugir. Ao que parece ninguém sabe de nossa existência, nunca vimos ou ouvimos ela falar sobre nós para os outros humanos gigantes. Gisele nos alimenta e nos trata como animais de estimação, nos mantém presos dentro de uma caixa de papelão. Já pensamos em matá-la.

31 de out. de 2009

Noite

Ela liga no meio da noite.
Pergunta se pode vir.
Se pode aparecer, me fazer uma visita.
Diz que quer me ver e que trará umas cervejas.
Pergunta se quero beber com ela.
Eu digo que estou cansado, mas bem, uma ou duas cervejas não fazem mal a ninguém.
Ouço ela sorrir suavemente, e sei que será uma boa noite.